domingo, 29 de abril de 2012

Poesia (9.7)


Clube dos Idiotas

Só cabe à minha poesia
Os meus sentimentos.
Só nela cabem tais palpitações
Do meu coração enegrecido.
É a partir dela
Que o meu sono chega.
É com ela que eu sou aquele que deveria ser.
Apenas a ela devo as mais obscuras satisfações.

Deveria eu, por minha vez,
Fundar logo
Um clube para idiotas.
Um clube composto somente por idiotas.
Idiotas de alto nível?
Não.
Idiotas idiotas.
Daqueles que choram,
Berram.
Idiotas que correm atrás.
Que querem e acham que podem
Resolver os seus e os problemas dos outros.

Nesse clube colocaríamos em pauta
Nossas intimidades,
Nossos propósitos,
Nossas idiotices conjuntas.
E seria em nosso clube
Que leríamos nossas bulas de rémedio
Para o coração.
Cada um com seu devido problema.
Cantariamos as mais bregas
(E por que não idiotas?)
Canções de amor.
Encenaríamos os mais belos Romeus
Encantados idiotamente
Pelas mais idotas Julietas.
Jogaríamos o nosso pôquer
Apostando quantias ínfimas,
Dinheiro sujo conseguido com um trabalho idiota
Onde somos obrigados a assinar um livro de ponto
Tão idota quanto o nosso próprio trabalho.

Seria então nesse mesmo clube
Que chorariamos juntos
Lendo em tom de epitáfio
Nossas poesia derradeira.

Nesse clube de idiotas
Seríamos todos Poetas.

sábado, 28 de abril de 2012

Poesia (9.6)


Desato

Espero que você tenha achado
O que tanto buscava.
Espero que tenha encontrado tudo
O que tanto procurava.
O que nunca fora achado em mim.
O que nunca pertencera a mim.

Espero que esteja feliz.
Espero que esteja muito feliz.
Com tudo que você tem agora.
Com toda a liberdade.
Com toda a falta de responsabilidade.

Espero que as festas estejam melhores agora.
Espero que os beijos sejam mais doces.
E os sexos mais ardentes.

E que seus sorrisos ébrios mantenham-se
Por muito, muito, muito tempo, meu caro.
Espero que todo esse mundo
Se propague para toda a sua vida
E que as pessoas possam ver quem você realmente é, por fim.

E espero nunca mais dividir com você
As lágrimas,
As vozes,
Os beijos,
A cama,
O amor.

O amor que era só meu.
Que continua sendo.
Que nunca fora seu.
E que nunca será.

Espero que tenha encontrado
De verdade
Tudo aquilo que eu nunca pude lhe proporcionar.

E espero não ouvir sua voz nunca mais.
Eu quero que a eternidade se realize nesse nunca
E que eu possa agora desprezar tudo que você é.

sábado, 14 de abril de 2012

Poesia (9.5)

Ensaio

Saia.
Tire o que for seu do camarim.
O show acabou.
Eu não consigo me mover.
Então saia.
Não deixe nada bagunçado,
Deixe tudo como você encontrou.
Novo, limpo e arrumado.

Bata a porta quando passar,
E não considere voltar por algum tempo.
Há novas peças em cartaz.
Temos um público exigente.
Corra para outro teatro.
Algum mais distante.
Ou faça uma turnê,
Quem sabe as coisas não melhoram?

Leve seu cenário,
Seus adereços,
Tudo.
Não precisamos de lembranças
De um espetáculo fracassado.

Devolva as chaves.
Quero tudo que for meu.
Não tens motivos pra ter mais nada.

E um conselho:
Ensaie mais.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Poesia (9.4)

Fantasma

O seu sorriso ébrio à meia sombra
Fazendo do resto de mim de resto.
Forçando o meu ódio.
A sua banalização desse corpo
Que era meu...
Que nunca fora meu.

O rasgo deixado no meu peito
Invisível.
Ando aos retalhos
Cobrindo buracos com gargalhadas de outros.

O seu olhar que eu tanto desprezo.
Como se eu nunca tivesse existido
E eu era tanto...
Mas eu sei que nunca fui nada.
Que era fui só mais um.
E hoje quem não passa de nenhum é você.

Eu fechei a porta daquela casa há muito.
E ordenei que a mesma fosse derrubada.
Mas você não estava lá para ver os escombros
E eu estou varrendo pedaço por pedaço
Do que um dia foi nosso...
Não.
Do que um dia foi meu.

Morei só durante vinte e nove longos meses
Nos quais fui feliz sozinho
E agora, desarrumo tudo sozinho também.
Como se você nunca tivesse existido...
E você nunca existiu.
E você nunca vai existir.

sábado, 7 de abril de 2012

Poesia (9.3)

Ciclos

O vazio.
A perda.
Eternos.
A falta.
A saudade.
O mundo aqui dentro.
Temeroso.

A cólera.
Os olhos.
Vermelhos.
As lágrimas.
Igualmente vermelhas.
Os tremores.
A mobília.
Destruída.

O sono.
O cansaço.
De tudo.

O equilíbrio.
A sensatez.
O ponto.
A chave.
O brilho.
À vida.
Nova.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Poesia (9.2)

E você me tem

E você me tem
Por completo.
Todo.
Tudo.
E não temo,
Nada,
De forma alguma.

Porque o que é mais importante
Em mim
É você.
A melhor parte do que eu sou
É sua.
E eu sou muito bom por ter você
Dentro de mim;
Comigo.

E é esse amor;
Sempre esse amor;
Todo dia esse amor;
Todo dia você,
Queme faz querer,
Que me faz querer querer;
Viver.

Colho os mais doces frutos
Todos os dias.
Os frutos do nosso amor.

Queria você ontem,
Sei que vou querer você amanhã.
Mas o querer você de agora que me faz querer,
Querer viver.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Poesia (9.1)

Neve de Verão


As imagens se distorcem
Com o passar dos dias frios.
É um verão gélido.
Com poucos dias de sol,
Com muita chuva,
Com neve...
Nada do que podia se esperar
Se tornara realidade.
A primavera havia sido tão boa
Com suas flores majestosas.
Tudo da primavera agora ficara pra trás.
Não há mais aquele calorzinho
Que esquenta os ossos.
Tudo que restara é o verão e o seu frio,
Suas chuvas torrencias
E sua espantadoramente nova
Neve.

Minha visão turva
Só vê o reflexo de uma primavera
Aqui e acolá.
Nada muito estável.

Indago o que teve essa primavera de tão especial.
Acho que a saudades reinou;
O amor mesmo.
Mas um amor diferente.
Como se fosse o começo de tudo
Não o meio
Ou até mesmo o fim.
Um amor de início
Quente, de verão.
Não desse verão.
De verões passados.
Verões mortos;
Saudosos.

E a neve é a pior parte...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Poesia (9.0)

Há de Haver

Há dias em que não há dias.
Não há cor,
Não há fome,
Não há vontade,
Não há você.

Há dias em que eu não hei,
Que por não haver você
Não hei eu de querer viver.

Sinto as faltas.
Falta você, falto eu,
Faltamos nós.
Esse ridículo verbo que me força
A querer você
A querer a mim.

Esses dias sem você
São dias que não
Hei.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Poesia (8.9)

Névoa

Se você soubesse
O mal que você me faz
Quando não me responde rápido,
Quando não me trata com carinho,
Quando finge que tá tudo bem.

Quantas vezes eu já não chorei sem querer,
Perdi o apetite,
Noites sem dormir.
Quando eu penso que estou feliz
E que as coisas não poderiam estar melhores
Um simples olhar seu
Ou um silêncio
Me quebra
E me vira em lágrimas.

Me odeio por amar você.
Odeio o besta que eu sou
Perto de você.
Cada pedaço de amor
Parece não valer de nada.

Uma montanha russa inerte
Que não para de fazer o mesmo movimento
Sempre e sempre.

Desejo enfiar minhas garras cegas
No meu peito demente
E arrancar;
Dilacerar
Todo o amor que sinto,
Todo o amor que não minto,
E poder ser leve
E poder ser névoa de novo...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poesia (8.8)

Fúria

A cólera sobe meu corpo
Como uma serpente
Dentro das minha veias.
Um ódio maciço
Chegando aos meus olhos.

Desprezo, é tudo que me fazes sentir
Vendo teu sorriso mole
De álcool e luxúria.
De traições aos sentimentos
Que um dia jurastes sentir por mim.
Sentimentos que hoje foram expurgados do meu coração
Como veneno que me corroía.

Fico verde
De ódio,
Verde como meus olhos,
De ódio.
Verde que um dia fora dito o mais belo.
Hoje só passa de mais um.

Não faria tudo de novo
E me enojo ao lembrar
Que entreguei tanto de mim
E me fiz contente com o pouco
Ou mesmo as sobras de ti.

Ainda bem que aquele “pra sempre”
Acabou.

Poesia (8.7)

Debruçado

Deitado de bruços
No chão frio
Do banheiro sujo
Com a cabeça na mão
E o coração apertado.
Terminando de escrever em sangue
Minha última carta.
Enquanto minhas mãos
Ainda suportam os requerimentos
Da mente
Que as obriga
A passar para o papel úmido
Minha dor tangível.

Não sei quanto tempo ainda me resta.
Também não sei se ainda me resta algo.
Creio que eu seja o resto.
E de resto, nada mais provavelmente me resta.

Não posso ser base,
Não tenho tanta força para segurar
Nada acima de mim.
Também não posso ser topo
Não sei ser importante o suficiente
Para estar tão acima.
Então mantenho-me regular
Mediano e extremamente comum.

E com o que ainda me resta de sangue
Tento achar meu lugar nesse mundo
Mas tudo que vejo
É o chão sujo
Desse banheiro frio.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Poesia (8.6)

A Chegada das Horas

Tossindo sangue.
Caindo.
Segurando-me em paredes mal acabadas.
Andando torto,
Sem sapatos.
Indo pra casa.
Finalmente.

Desculpe.
Tenho que ir.
A hora chegara
Há muito.

Desculpe
Deixar sua casa assim
Tão rápido.
Mas algo me chama.
Algo que eu preciso buscar.
Algo que eu tenho que aprender a amar.

Fomos grandes amigos.
Companheiros de coisas que eu nunca
Imaginara fazer.
Queria que as coisas fossem melhores.
Queria que as pessoas soubessem que foi lindo.

Desculpe-me por ter ido.
Alguém tinha que ter dado o primeiro passo.

Espero me achar de novo
E aprender a me amar como deveria ter sido.
E espero depois encontrar você
E que sejamos diferentes,
E que sejamos melhores.
E que saibamos que a hora chegara, por fim.

Poesia (8.5)

Silêncio

Silêncio gritado
Expurgado da minha garganta.
Como quem briga,
Como quem fazer uma rebelião.

Silêncio estranhado.
Máscaras velhas,
Arruinadas.
Máscaras cansadas,
Sonoras, estardalhantes.
Escandalosas e falsas.

Máscaras emprestadas
Ao longo do tempo
Que se confundiram com meu rosto.

Mas o silêncio é meu.
Sou eu quem grito essas palavras caladas.
É minha garganta que se cansa de tanto silêncio.

Minha voz me foi roubada.
E eu não tenho interesse de procurar seu ladrão.
Não tenho a mínima vontade de recuperá-la.
A mínima vontade de ter minha voz de volta.
Quero ficar calado.
Sentado.
Parado.
Esperando
Minha voz achar seu caminho de volta
À minha garganta.

Sim.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Poesia (8.4)

Espuma

Saí do mar,
Caminhei pela areia.
Cortei meus pés em rochedos,
Sangraram de dor meus olhos.

Conheci novos mundos.
Vi espelhos
Que me viram
Assustados, curiosos.

Fitei a vida que eu almejara
Há tanto.
Almejei por fim fitar a água
Salgada mais uma vez.

Quero voltar;
Cortado, calado, sem ar.
Pisar nesse mar e deixá-lo
Ser em mim;
Curar minhas pernas cansadas.

Vai arder.

Mas serei capaz de respirar
Por fim.

Quero voltar,
Voltar ao mar.

Mas se eu o fizer
Talvez espuma
Tenha sido o que me sobrou dele.
Talvez seja espuma
O que eu me torne
Ao tocá-lo de volta...

Talvez espuma seja o que eu queira me tornar...

Poesia (8.3)

Ciclo da Chuva

Uma noite inesperada;
Uma semana corrida;
Uma coruja molhada;
Um pedido sem saída.

Um ano, dez meses e uma vida.
Separados por tantos,
Unidos por poucos.

Continue andando, meu amigo,
Que a vida é pouca
E o amor é muito.

Não posso lhe dar minha mão
Se você não quiser minha vida,
Pois junto com tudo
Vem antes
Meu coração.
Deixei meu Parnasiano em seu retiro.
Trouxe ou, até mesmo, veio comigo
O mais ultra dos meus Românticos.
E é ele que toma as rédeas aqui.

Foi o meu Romântico
Que fez chover
Quando precisávamos de água.
Foi ele quem te deu aquela coruja encharcada
E é ele quem chove nas noites caladas.

Não espere nada mais do que isso
Pois de mim não terás.
Senta-te quieto na escadaria do antigo
Lugar sagrado
E chovas tuas lágrimas
Em cima de coco e prata
Pois minhas chuvas não mais
Molharão teus pés.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Poesia (8.2)

Noite Opaca

Noite opaca.
Estou deitado à sombra de uma árvore,
Estou deitado à sombra de uma esperança,
À sobra de um querer,
À sobra de uma dúvida
De um sol que está incerto
Sobre o seu nascer.

Estou imerso nessa noite,
Imerso em mim e à sobra de uma vida que tive.
À sobra de um sol que me ofuscou por muito
Mas nunca me aqueceu.

Faz frio aqui.
O vento passa rasgando meus lábios,
Estremecendo meus dedos.
Estou cego
Deitado à sombra de um eclipse eterno.

Deitado em meio a vozes
Que me dizem tudo
Menos o que eu realmente preciso ouvir.

Mergulhado nessa água turva
Inquietantemente poluída
Eu me debato.
A água não se move.
Não há ondas nessa sombra.
Não há mais ondas em mim.
Não há sequer movimento.

domingo, 11 de setembro de 2011

Poesia (8.1)

Gula

Aprendi a degustar a dor
Como quem degusta um cultuado prato estrangeiro.
De garfada em garfada
Aprecio o sabor
De noites mal dormidas.

Sou servido com classe
E moderação.
Meu paladar refinado agradece
Os novos sabores
Que de gota em gota
Preenchem minha dúvida
Com a amargura anciã.

Como paulatinamente
Tudo que me é proposto à mesa.
Entrada e prato principal
Se fundem num excesso refinado
Em que eu
E eu apenas
Sacio as vontades do sofrer.

Então satisfeito
Abraço a dor
Na velha conhecida madrugada
E deito em seu ombro
Desejando ser menos de mim
E mais dela.
Desejando comer por fim
Minhas lágrimas
E aprender a digerir a dor que cerca
Meu mundo
Há mais tempo do que o tempo pode recordar.

Esse prato de sabor amargo e sofisticado
Que me forço a gostar
Que me obrigo a apreciar
Está a se perder
E posso ver o aroma doce vindo com o vento;
Mas por enquanto
Tenho pena de mim no fim de tudo
Por querer apenas
Força a reverência a essa sofisticação dolorosa.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Poesia (8.0)

Rosa Aos Ventos

Ando demasiado preocupado
Com o que ando carregando comigo.
Que conteúdo é esse
Que me tem por inteiro
E que não me deixa ser?
Paro por segundos
Calados.
Penso no que meu cérebro sequer
Consegue formular em palavras pensadas.

Do que carrego
O que é meu?
O que é de mim?
O que é verdade?
O que está precisando ser podado?
Até que ponto eu posso podar o que carrego
Sem me cortar no caminho,
Sem destruir o que eu sou?
Como matar o veneno sem esfacelar a rosa
E deixá-la ir com o vento?

Então quando
Conseguirei eu procurar nos ares
Minhas pétalas?
Minhas pélatas por fim minhas
E por fim puras?

E onde colocarei tanta pureza?
E o que fazer com o temor,
Hesito e penso numa vontade de deixar-me
Ao vento?
Seria mais fácil perder-me de vez?

Poesia (7.9)

O Ridículo Pensamento

O ridículo pensamento;
Aquela tentativa turva
E saqueada de tentar explicar,
De tentar racionalizar
O que sinto.
O que não minto no meu íntimo.

E aquela posterior mudança de pensamento:
Por onde anda aquele amor todo?
Perdido titubeando por ruelas de luzes amareladas.
Zombando de mendigos.
Terminando garrafas de aguardente em minutos.
Montando em muros,
E os cavalgando
Como quem os rodeia,
Como quem os domina.

Até quando essa esperança vai ficar
Atrelada a minha mão
Tão fortemente
Que a dor dela me cega?

Esperança que não me deixa ver dois palmos
À frente do meu nariz torto,
Torturado.
Esperança que mostra uma menina pequena
De olhos puxados
Segurando minha perna
É a mesma esperança
Que mostra meus olhos sangrando.

Por quanto ainda esperarei
Até que entre uma viela e outra
Meu amor encontre
Minha esperança
E que se entendam sem precisar de palavras
Para explicar como as coisas devem ser?

sábado, 30 de julho de 2011

Poesia (7.8)

Duzentos e Sete Ventos

Talvez o erro tenha sido meu.
De ter gritado minha dor aos duzentos e sete ventos
E ter quisto que ela fosse abraçada
Por todos que estavam ali.

E agora eu tenho certeza que a culpa
Foi de fato minha.
Por ter extasiado do meu corpo
Toda essa dor
Que tantos abraçaram.

Mas o que fazer com essa felicidade?
Os ventos que ouviram minha dor
Deram as costas
Para qualquer sentimento
Que pudesse sair de mim.

E agora pensam que só há dor em mim...
Mas não...
Há em mim um leito de felicidade
E uma felicidade latente
Sobre um futuro
Que por mais incerto; meu.
Desejo que os ventos ouçam meu grito de euforia
E saibam que a dor se foi;
Há de voltar;
Mas não mais gritada.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Poesia (7.7)

Bússola

Perdemos o caminho
Nessa estrada destruída pelo Tempo
E por um tempo cruel.
Estrada degradada por chuvas
E sóis.

Perdemos nosso caminho
No meio de tanta floresta
Em que a fauna
Era vista a apodrecer
Enquanto corríamos
Sem a menor noção
De que destino havíamos tomado.

Nos perdemos nesse caminho
Que em dias de frio
Era lindo e branco,
Mas em dias de calor
Só víamos a paisagem vermelha coberta de orvalho,
Coberta de lágrimas do Dia.

Nos perdemos no nosso próprio caminho
Em meio aos nossos abraços noturnos,
Confidências ao pé do ouvido
E lágrimas sangradas por dentro.

Nos perdemos, por fim,
De nós mesmos.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Poesia (7.6)

Celado

A cela está aberta
Mas eu me recuso a ir.
Optei por permanecer aqui.
Guardando meu lugar
Nesse cárcere.

Lembro-me de ter gritado,
Chorado,
Ameaçado muitos,
Para que me tirassem daqui.
Lembranças longínquas hoje
Que não mais me tocam
Com seus dedos.

Nunca me prenderam.
Pedi para ser guardado.
Mantido aqui,
Aquecido no seu amor
Precipitado.

E aqui permaneço;
Sem querer sair
Da minha prisão carinhosa.

A porta está aberta
Mas quem está fechado sou eu.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Poesia (7.5)

O Balanço Vermelho

Este eterno estado inerte
Está sempre
Puxando o melhor de mim;
Para um lado
E para o outro.
Como um balanço débil
De uma criança cega.

Perdido em meio ao verde
Em meio ao vermelho.
Perdido dentro do vermelho.
Vermelho sem saída.
Vermelho roxo;
Troncho.
Envergado como minha coluna exausta.
Quebrado como meus dedos calejados.
Vermelho cruel.
Vermelho da paixão,
Do ódio,
Do amor,
Da dor.
Vermelho.
Vermelho que não me deixa
Ver melhor.

A eterna dúvida
De um amor vendido,
Trocado.
Onde estarão meus feijões mágicos?
Aonde iriam me levar?
Não sei onde estou
Então não importa que caminho seguirei
Já que tenho dentro de mim
Todas as dúvidas do mundo.
Queria ter de volta
Todos os sonhos.
Mas eles se perderam.

Então continuo seguindo esse vermelho.
Nesse balanço sem fim
De inércia sofrida.
Esperando o dia de parar e descer.
Esperando por fim
Não cair.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Poesia (7.4)

Lágrimas Sonoras

Esse choro quieto;
Calminho, calminho.
Covarde, sem força.
Morto.
Já velado.

Choro no canto.
Choro baixinho, baixinho.
Não quero incomodar.
Não quero me explicar.
Não quero arranjar desculpas para tal.
Quero apenas despejar ao mundo
Pedaços de prata que anunciam meus sentimentos.

Choro rubro.
Choro pequeno.
Tímido,
Sem intensões de chamar atenção.
Choro de intensão única,
Aquela intensão que só cabe a mim.
Que responde às minhas perguntas.
Choro que ninguém pode consolar.
Porque ninguém ouve.

domingo, 3 de julho de 2011

Poesia (7.3)

Cacos e Sangue

Eu tentei demais.
Apliquei esforço,
Suor,
Choro,
Paciência.
Mas no fim não consegui.
Eu tentei proteger você
Como ninguém antes havia tentado.

Envolvi você nas minhas asas de vidro.

Mas você não via
Que o que envolvia você era o meu carinho e cuidado.
E você quebrou isso;
De murro em murro
Minhas asas partiram
E com o vidro no chão
Veio o sangue.
Sangue meu.
Um tardio sangue seu.

Se você soubesse
Que eu estava só tentando te proteger
Talvez você não tivesse esmurrado tanto,
Gritado tanto
E feito pouco de mim,
O único que ainda tentava resguardar-te
De um mundo que era conhecido por cruel.

Agora eu tenho que partir
E sinto um certo pesar por deixar você
Desprotegido.
Mas foi uma escolha sua
Estar lá fora.
Espero que você tenha feito a escolha certa
Já que não há mais possibilidade
De colar cacos e sangue.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Poesia (7.2)

Salva de Palmas

Uma salva de palmas
Pelo seu imenso esforço
Em me fazer cair.
Uma salva de palmas a você
Por ter atingido o alvo em cheio.

Quero que você seja ovacionado de pé,
Com todas as condecorações que lhe sejam cabíveis,
Por ter me deixado no chão.

Mas espere...
O que vemos ali?

Eu estou me levantando.
E o que vai acontecer com você
Quando souberem que nada daquilo era verdade?

Tenha cuidado, meu rapaz.
Você já não vai ser tão forte quando eu estiver de pé.
Você já não vai mais poder se vangloriar
De ter assassinado aquele triste poeta.

E você vai cair
E eu vou conduzir uma final salva de palmas.

Poesia (7.1)

O Verdadeiro Mar

Nenhuma onda,
Mais nenhuma,
Nenhuma mesmo
Há de me levar para lugar algum.
Não quero mais esse Mar vasto.
Não me renderei a nenhum outro turbilhão de água.

Manter-me-ei longe dessas praias.
Quero meu lugar quieto,
Sólido
E o mais seco possível.

Longe de cachos de ondas
Que possam fazer arder
Minhas feridas ainda pungentes.
Longe do Mar
Que se impõe
Como se fosse Ele a única solução para a vida.
Longe de tudo aquilo que um dia eu chamei de lar.

E se for preciso
Carregar ódio
Para sair daqui,
Eu vou carrega-lo.
Vou bebê-lo como se fosse a última forma líquida do mundo.
Vou enxertá-lo em qualquer espaço vazio que houver em mim.
E vou destruir cada centímetro de Mar
Que ainda há aqui dentro.

E dizimar todo o Mar
Que ainda insiste em me molhar.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Poesia (7.0)

A Última Cerca

Quantas vezes eu terei que morrer
Para que percebam o quão perdido eu estou?
Durante quantas poesias eu vou ter que sangrar
Para que possam me socorrer?
Quão invisível é minha dor
Aos olhos vis?

Será que o que eu temo é o novo
Ou a mera falta de segurança?

Minha cerca estava me rasgando de tempos em tempos.
Mas agora no campo aberto
Eu não sei o que faço.
Não sei para onde correr
Nessa planície que de tão madura enverdeceu.
Meus braços não conseguem nada
Por mais que se estiquem.
Por mais que eu corra
Eu não estou chegando a lugar nenhum.
E isso é bom.

Naturalmente, algum dia
Eu chegarei a algum lugar.
Mas será que eu ainda volto
Àquela cerca que por vezes,
Por muitas vezes,
Só me fez sangrar?
Será que arriscar ficar solto
Vai ter valido a pena?

É muita liberdade
Pra mim
Que sou pouco.

Quero encontrar uma cerca que me abrace
E não me rasgue a pele
E não me sangre as mãos
E que saiba o quanto eu importo.

E que essa seja a última.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Poesia (6.9)

Expurgo

Eu quero vomitar minha vida.
Expurgar tudo garganta acima
E sentir aquele alívio,
Mesmo que breve,
Dos músculos da garganta.

Colocar pra fora o que eu,
E eu somente,
Deixei entrar,
Ou às vezes,
Coloquei pra dentro
Com todo o carinho que pude.

Desintoxicar-me
Para que talvez assim
Eu possa respirar mais uma vez,
E sem tanto pesar,
A vida que me foi roubada,
Ou que eu mesmo entreguei
Sem saber a quem...
Sem sequer conhecer as pessoas.

Eu quero vomitar minha vida
Para poder gozar pela última vez
Desse alívio temporário
E me sentir talvez
Paradoxalmente
Vivo.

Poesia (6.8)

Irreversível

Agora que a casca fora quebrada
Não há mais motivo para tentar,
Ou sequer ponderar acerca,
De que estamos mais expostos
Do que nunca estivemos.

Talvez um dia desejemos,
Tão completa e sinceramente,
Que nunca tivéssemos nos conhecido,
Que talvez quem sabe
Torne-se realidade.

Isso já é, em parte, verdade.
Quando lembro o que você fez,
Quando aquelas lembranças afiadas e pontiagudas
Transpassam minha mente,
Eu não reconheço você.
A sua face na minha memória
Não condiz com o que você se tornou.
E aquele sorriso...
Ah...
Aquele sorriso...

Sinto como se cada dente,
Que naquele dia sangrento
Viu a luz lacrimosa da lua,
Cravasse-se em meu peito.
Queria poder não ter esperado tanto.
Queria poder não ter visto tanto,
Não ter visto nada.
E lançar essas imagens às chamas
É um desejo frustrado.

Já que como você sabe,
O que aconteceu foi
Irreversível.

Poesia (6.7)

Cordas

Se eu pudesse ver escorrer de você
O mesmo sangue que por muito escorreu de mim
Eu mesmo amolaria a faca
E rasgaria seu peito.

Mas você jamais teria tanto sangue para jorrar.
Você jamais suportaria.
Você não conseguiria sustentar.

E eu estou aqui
Preso,
Agarrado às duas pontas das cordas
Que um dia foram banhadas em mel.
Hoje misturadas a esse mel
Cacos de vidro afiados
Cortam, rasgam, trituram
Minhas mãos
Que só queriam
Manter essas pontas juntas.

Mas não foi possível.
Minhas mãos surradas não mais suportaram.
E as suas permaneceram com apenas leves arranhões.

E eu tive que ir.
Tive que curar minhas mãos nas lágrimas e suor
De outro,
Já que você recusou-se a curá-las.

Eu tive que ir...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Poesia (6.6)

A Forma

Foi da maneira mais errada
Que eu te amei.
Da mais altruísta
E dedicada.
Do jeito mais sem amor próprio possível.

Você anda na minha cabeça;
Faz-me perder a noção da vida.
Desse modo você pôde sugar
O que quisessem de mim.
Fez-me sofrer por estar eu certo.
Fez-me pedir desculpas por um erro seu.
Fez-me chorar a sua dor egoísta.

Faltou-me esse tempo todo
Um pequeno traço de amor
Que eu deveria ter tido por mim.
Já que todo amor que havia em meu peito
Encontrava-se em você;
Nada estava lá para que eu pudesse me apoiar.

Hoje dedico meu amor a mim
E não quero dá-lo a mais ninguém.
Quero mantê-lo aquecido e confortável aqui
Para que um dia, quem sabe,
Alguém possa merecê-lo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Poesia (6.5)

Uma Noite Sombria

Numa noite sombria
Em que todas as estrelas
Recusavam-se a brilhar,
Eu parei e esperei morrer.
Não fora uma morte rápida,
Longe disso...
Fora a mais lenta delas.
E eu esperei...
Esperei fazeres o que tinha que ser feito.
Não conseguia tirar o meu olhar.
Não conseguia eu desviar um centímetro.

E fui morrendo aos poucos
Quando eu deveria estar
Matando-te.
Tu merecias morrer!

Naquela noite sombria
Em que todas as estrelas
Recusavam-se a brilhar,
Eu devia ter parado para te matar um pouco.
E não seria uma morte lenta,
Longe disso...
Seria a mais rápida delas.
Mas eu esperei...

Eu fui covarde,
Eu estou sendo covarde,
Por ter te deixado matar-me.
Por ainda morrer ao lembrar
Daquela noite sombria
Em que todas as estrelas
Recusavam-se a brilhar.
E ainda lembro os sorrisos,
Os teus movimentos,
As mãos de ambos dançando.

E eu fui mais covarde ainda
Por ter me deixado morrer pelos olhos,
Por ter te dado de presente minha lágrimas,
Por ter sido imensamente fraco.
E ainda por cima
Ter tido aquele último abraço
Negado.

Poesia (6.4)

Limbo

Não sei o que falar.
Não sei quais palavras usar
Para dizer aquilo que não sei o que é.
Não sei o que pensar.
Não sei o que devo ou não achar.

Na verdade, eu sei,
Mas são pensamentos confusos
E extremamente paradoxais
Que gerariam falas,
Palavras e conversas
Igualmente confusas e paradoxais.

Eu não posso esperar pra sempre;
Essa situação de limbo é muito desesperadora.
Estar sentindo fogo e gelo em demasia
Me faz ficar extasiado e inerte.

Os pesos e medidas dessa situação
Estão escondidos.
E eu simplesmente me recuso
A deixar de lado meu coração
E analisar isso Parnasianamente.

Talvez quando eu estiver certo de algo
Eu possa dar um passo para fora desse limbo...

Só não sei se chegarei ao Céu ou ao Inferno.

Poesia (6.3)

Camaleão

Não posso dar mais um passo sequer.
Aprendi desta vez.
Não posso mais dizer nada,
Minhas palavras acabaram.
Eu aprendi.

Vou pegar de volta o que é meu,
O que nasceu comigo.
Você não tomou nada,
Longe disso,
Eu lhe dei o que tinha.
Lhe dei tudo.
Mas agora peço de volta
Não com a mesma gentileza com a qual
Você recebeu.

Meu amor vai voltar
Para onde nunca deveria ter saído.
Vai preencher meu vazio de uma vez por todas.
E parar de tentar ser esse camaleão
Que se camufla com os Seus sentimentos
E vive sem saber o que era que havia em sua pele
Quando tudo começou.

Qual teria sido minha verdadeira cor?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Poesia (6.2)

Poesia Derramada

Teço minha poesia em sangue.
Teço-a em exagero.
Em grandes honras as faço.
Com enormes sentimentos que sinto.
Que me dizem dramático e desnecessário.
Mas assim e somente assim
Sei escrever minha poesia
Minha.

Se não com sangue
Prefiro não tecê-la
À cuspe ou vômito.
Não seria minha.
Não seria eu.

Quando escrevo não quero
Nem preciso me esconder.
Não há essa necessidade.
Então se meu sangue te enoja
Não pare teu mundinho
De falsidades e ilusões
Para ver meu sangue derramado.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Poesia (6.1)

Broken

Broken,
Fallen apart
Without conscience,
Without my old and gorgeous life,
The life that I insisted on
Keep on killing.

Broken once again;
Bleeding inside and hoping,
Hoping I could cry all this blood out.
Lying on the cold and deep floor,
Feeling that I cannot do anything more,
That I could be anywhere else but here,
And you, my dear,
And you, my babe,
Oh, you…

You are not here, darling,
You are not here with me.
You stood up long ago,
You left my iced and hard floor
For the beauty of your fake new world
And I lie here on the floor
Attached to everything that we
Once shared.

Broken one more time;
And without hope
I keep on walking,
Walking on this messed up, fake and frozen world
That once I called home
That once I called love.

domingo, 5 de junho de 2011

Poesia (6.0)

Argila

Mesmo sem vontade
Ou o mínimo querer,
Você fez de mim aquilo que quis.
Moldou minha argila virgem
Da maneira que bem entendeu.

Fez e desfez.
Construiu arranha-céus que rasgaram meus céus,
E destruiu minhas pontes com o mundo.

Elogios tecidos no algodão
Fizeram-me acreditar que eu podia lhe valer algo.
E eu que só queria uma chance
Pra provar quem eu realmente era.
As vozes que você ouvia
E ainda ouve
E talvez ouça pra sempre
Foram, são e serão
As mesmas.

Queria poder reaver minha argila virgem
E fazer dela, dessa vez, algo proveitoso,
Algo que me fizesse crescer sem dor.
Porque o que você me ensinou
Fez com que eu crescesse
Em cólera e sofrimento.

Queria poder não mais precisar disso tudo.
E comprar na venda
Uma argila nova;
Mas não me é possível.

Agora é arregaçar as mangas
E tentar fazer do seu estrago
Algo que faça sentido pra minha vida.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Poesia (5.9)

Palha Fina

É aqui que se encontra
A felicidade.
Bem nascida.
Mulher adulta já.
Experiente.
Quase que uma anciã.

E do meu outro lado
A decepção.
Carrancuda.
Curvada, cheia de cicatrizes de batalha.
Quase uma mendiga.
Jogada ao meio fio
Pedindo aquilo que não podem lhe dar.

E agarrado às duas
Eu me deito em meu colchão de palha fina
E descanso minha cabeça
Em meu travesseiro de barro.
E agarrado às duas
Eu sonho com um mundo melhor
Onde hei de viver um dia,
Onde hei de achar uma conciliação.
Onde hei de atingir uma paz inatingível.

Acordo, porém, com minha coluna torta
Quase se partindo.
Querendo descanso.
Querendo não ter acordado.
Querendo manter meu sonho
De calma e paz
Pra toda a eternidade.
E assim me levanto
Com o peso da vida nas costas;
E me arrasto aos meus afazeres
Tentando não cair mais.

domingo, 20 de março de 2011

Poesia (5.8)

O Leito da Esperança

Mancando.
Com os pés sangrando.
Apoiado em você.
Que também manca,
Também sangra.
Mesmo sangrando mais que você
Eu sigo.
Eu quero seguir.

O que quebrou lá atrás
Cortou nossos pés.
Dilacerou o que nos sobrara de apoio.
Não mais temos muletas.
Andamos agora apoiados
Um ao outro.
E minhas lágrimas caem aos montes
Tentando lavar o sangue que fora derramado
Por esse logo caminho percorrido.

Meu ombro suporta o teu peso
E o peso que tens em meus ombros
Nunca foi pequeno.
Estamos cansados...
Precisamos de água.
Andamos muito.
Paramos.

E parar talvez tenha sido o pior dos erros.
Foi como ter um pedaço de doce
Tão ínfimo e tão distante
Que nos fez querer mais.
E a dor desse doce foi tão amarga...

E agora estamos aqui
Sangrados e sujos,
Cortados e moídos
Querendo cicatrizar.
E eu tenho aqui no meu peito aberto
O leito da esperança
De que possamos,
De novo, andar.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Poesia (5.7)

Espinhos

Eu me arrependo.

Me arrependo de ter dito cada "pra sempre".
De ter olhado no fundo dos teus olhos
E dito que te amava de verdade.

Me arrependo de cada abraço,
De cada beijo,
De cada momento de intimidade.
Me arrependo de cada lágrima,
De cada gota de sangue
Que meus olhos derramaram.

Eu me arrependo
Por cada preocupação,
Cada dor de cabeça,
Cada tremor de raiva.

Me arrependo de ter entregue minha vida
E, por consequência, meu amor.

Eu me arrependo
De ter sido feliz.
Me arrependo mesmo.
Queria nunca ter conhecido tal felicidade.
Queria nunca ter provado de tal sentimento.
Preferiria morrer sem conhecer o perfume da rosa
A ter que me arriscar tocando seus espinhos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Poesia (5.6)

Eu Vi

Um sorriso coagulado no rosto,
Sangrado, ainda quase que vivo.
Cessou há pouco.
Uma lágrima trancada
Amarrada na garganta.
Um peito destroçado
Jorrando aos leões.

Um par de olhos cor de farol que
Procuram a dor ao longe.
Caçam você na multidão.
E acham.
E não queriam achar.
E não queriam ver.
E eu quis cegar tanto, tanto, tanto!
Eu quis bater.
Eu quis chorar.
Eu quis morrer.
Mas eu sorri.
Eu esperei você terminar o que estava fazendo.
Eu esperei você mentir.
Eu esperei morrer ali.
Eu sei que morri ali
E não sei como ainda estou de pé.

Poesia (5.5)

Velado

Por que eu pergunto o que não quero ouvir?
Por que eu busco o que não quero ver?
Por que eu sinto o que me faz sofrer?

Por que tentar remediar um câncer?
Pra acalmar a quem?
A dor de um doente é de quem cuida dele.
A dor de um velório é da família.
O morto não faz questão de ser sepultado.

Mas pra quem tanto sofrimento?
Pra quem tanto amor?
Pra quem tanta dor?

Sem apetite
Pra nada.
Sem força
Pra levantar.
Sem medo
De piorar.

Espero só, que algum dia, a morte de alguém
Ou algo do tipo
Me faça sentir algo pior do que eu já senti
Porque até agora
Nada foi tão ruim;
E só me parece piorar...

Poesia (5.4)

Ladrão

Você me tirou a vontade de viver.
Você me tirou a vontade de sonhar.
Você me tirou a vontade de amar.
E assim eu sigo caminhando sem rumo
No escuro que cega e tortura.

Você me deixou só.
Machucado.
Pedindo cuidado.
Você me deixou caído.
Chorando.
Querendo abrigo.

Você me tirou o futuro
E assim o meu presente
Que eu torço para se tornar logo
Um passado.

Você me tirou a vontade de viver...
E isso foi tudo.

domingo, 6 de março de 2011

Poesia (5.3)

Camelo

Rasgado.
Deixado de lado com o peito sangrando.
Calado.
Mudo.
Sem esperança de que um dia
Eu volte a ver cores.
Quase cego.
Querendo não ter vivido.
Preferindo nunca ter sido feliz
A ter que lidar com a dor de agora não ter mais nada.

Lembrar do que já foi
E saber que não mais será.
E saber ainda por cima
Que não haverá futuro,
Que não haverá ninguém,
Que meus dias serão sozinhos.

Partido em dois
Eu desejo que você se parta em mil.
E a dor de lembrar que nenhuma parte minha
Era minha.
Eu era seu.

Você não tem mais o que dizer
Porque nada do que você fez tem perdão.
Nada do que você me fez
Pode ser abrandado.
Quem morreu ontem fui eu.
Quem viu a face do inferno fui eu.
Quem está aqui escrevendo e chorando sou eu.

Andava eu como um camelo
Sedento de vida.
Caminhava sem pensar
Na minha reserva de água
Que também era sua.
E tudo secou sem que eu percebesse.
E ver você bebendo de outra água
Me fez morrer.
Eu quis cegar.
E ceguei.
Não mais vejo o nosso oásis.
Sou apenas carcaça jogada na areia vermelha.
E assim tento me levantar frágil.
Não mais tento ver você nesse deserto
Não mais tenho meus olhos furtivos
Querendo achar você na multidão.
Eu já vi demais.
Eu já senti demais.
Eu já tentei demais.
Eu já fiz o que pude.
O monstro foi esse camelo
Que me matou de sede aos poucos...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Poesia (5.2)

Lágrimas

Lágrimas derramadas em vão.
Gotas de sangue que saem de meus olhos
E correm de encontro ao chão.
Pequenas partes de mim
Que deságuam no linóleo frio.
Lágrimas choradas em vão
Lágrimas que não valem
O esforço árduo de minhas têmporas gastas.
Lágrimas que por vezes
Como asas
Levaram-me longe.

Lágrimas não choradas por mim.
De um sofrimento languido e frio.
Lágrimas choradas no calor
Da discussão mórbida.
Lágrimas de um amor.
Lágrimas mortas que por vezes não descem
Que por outras vezes me enchem a face
Que sempre me fazem pensar
Se alguém as merece.

Lágrimas que eu quero de volta
Lágrimas que nunca deviam ter ido embora
Lágrimas que me pertencem;
Revoltas e sujas hoje
Mas ainda assim
Minhas.


sábado, 29 de janeiro de 2011

Poesia (5.1)

Desarmado

Não mais luto.
Não mais me mexo.
Não mais vivo como vivia.
Estático e imóvel me encontro;
Desarmado sem nenhuma esperança.

Cansei dessa luta,
Dessa luta eterna.
Cansei de lutar pelo que não é meu.
Pelo que não é só meu.
Por esse país em que vivo
Às lágrimas.
Por essa terra que me faz ter fome.
Por esse povo que me olha com desprezo.

Joguei longe minhas armas;
Desarmei-me.
Cansei de lutar.
Desisti dessa guerra.
Meu estopim pode ser culpado
Mas nunca minha força.
Por mais que tenha sido eu
Que tenha começado todo esse derrame de sangue,
Não fui eu que cortei a garganta de ninguém,
Pois desarmado estou.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Poesia (5.0)

A Nostalgia dos Outros

E eu hoje acordei nostálgico
Querendo voltar àqueles tempos bons,
Àquelas músicas,
Àqueles filmes e bares,
Àquelas moças e rapazes,
Àqueles países.

Me surpreendi com minha nostalgia.
Eu nunca havia vivido aquilo,
Nada daquilo.
Como posso sentir-me nostálgico
Com a vida dos outros?

Mas tenho dentro de mim
Uma certeza latente
Que torna-se tristeza quando se choca
À minha realidade
Que é o querer intenso.
O querer ter vivido.
Queria poder viver aquilo mais uma vez
Mesmo nunca tendo o feito.

Sinto saudades de emoções que não são minhas.
Sinto falta de pessoas que nunca conheci.
Quero voltar a viver uma vida que não é minha.
Quero parar de sentir
Essa nostalgia dos outros.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Poesia (4.9)

Finale

E todos os carinhos
E todas as mensagens
E todos os amores e desamores
E todos os problemas
E todas as soluções
E todos os calores
E todas as irritações
E todos os beijos
E todos os beijos irritados
E todas as noites
E todos os dias
E todas as tardes
E todas as vezes de amor
E todos os filmes
E todas as músicas
E todas as séries
E todos os abraços
E todos os gritos
E todas as lágrimas
E todos os amigos
E todos os sushis
E todas as pizzas
E todos os roubos
E todas as brigas
E todas as reconciliações
E todos os créditos
E todos os silêncios
E todos os planos
E todas as filhas (ou cachorros)
E tudo...

Parece inacreditável que algo assim possa acabar um dia...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Poesia (4.8)

Casa Suja, Chão Sujo

Calada, reclusa, morta por dentro.
Sem nada a acrescentar.
Uma mulher centrada.
Centrada em fazê-lo feliz.
E faço isso muito bem.
E faço isso melhor do que ninguém.

Ser aquela atrás do grande homem
Nunca me foi uma tarefa fácil.
Lavar-passar-arrumar-cozinhar.
Servir.
Ser a que serve.
A que mantém.
A que sustenta.

Aprendi a mentir com um sorriso no rosto,
A sofrer gargalhando,
A morrer de olhos abertos.
E a fugir sem deixar pistas.

Mas na calada da noite eu sempre volto,
Porque não sei mais viver sem isso,
Não sei como se vive sem mentiras
E fingimentos.
Minhas mentiras me tornaram o que sou.
E não há verdade nenhuma nesse mundo
Que possa mudar isso.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Poesia (4.7)

Peito

Não bata.
Não faça nada.
Não se mova.
Não me dê esperanças.
Não me deixe vivo.
Não me queria bem.
Não me faça querer-te bem.
Não bata, por favor.

Não quero teu sangue
Nas minhas veias sujas.
Isso me faz mal.
Contradiz tudo que eu faço.
Não quero estar vivo.
Não quero estar estável.
Quero estar morto
E mutável ainda assim.

Voltar no tempo
E achar que era feliz.
Me arrepender de ter deixado você bater.
Não posso.
Não posso permitir que você estrague meu mundo.
Não vou deixar que o meu coração
Bata pra mais ninguém.
Porque ele já encontrou o ritmo certo.

domingo, 28 de novembro de 2010

Poesia (4.6)

Peso Morto

E é nessas horas que eu descubro
Que não sou nada.
Que tudo que eu pensava ser verdade um dia
Tornou-se mentira num momento de raiva.
Gloriosos momentos de raiva
Que me fizeram ver a verdade!
Verdade essa me sangra o pescoço,
Como uma galinha velha
Pronta para se tornar alimento
Para aqueles que não merecem sobreviver
Do meu sangue.

Então desse mesmo modo
Toda a minha confiança se esvai.
Toda a minha maquiagem borrada
Parece mais destorcida ainda,
Como se eu não tivesse tido tempo
Para sequer modelar minha base.

Morto e deixado de lado
Com minhas um dia belas nádegas à mostra,
Eu, fora do meu corpo,
Vejo passarem os transeuntes.
Também machucados,
Também sofrendo,
Também almejando a morte,
Mas nenhum deles no chão.
Nenhum deles está nu,
Debruçado em lama flácida
Que me envolve e aquece.

Se um dia eu puder voltar;
Se um dia eu for capaz
De mostrar a que vim
Espero que esse dia seja ontem.

Poesia (4.5)

Verde Verde

O meu problema foi ter apressado as coisas
Desde o começo.
Eu fui apressado demais
Pra tudo.
Me apressaram também.
Cresci depressa;
Perdi muita coisa
Perdi minha infância envolvido em pensamentos
Que não eram meus.
É como se a vida tivesse me empurrado pra frente, sabe?
O problema é que eu não sei mais
Como é ter a minha idade biológica.
Desaprendi a ser imaturo.
Imaturo comigo mesmo.
Não que eu seja o mais maduro sempre,
O mais sensato.
Mas é o melhor que eu posso ser.

Eu fico pensando
Se alguém no mundo
É suficiente pra mim.
Se há alguém que possa me mudar.
Se há alguém que possa me completar.
Que possa me fazer feliz.
Que possa ser perfeito pra mim.
Perfeição não existe.
Mentira!
Quero que alguém perfeito
Me resgate da minha vida medíocre
E me faça ver o bom da vida.

Estou esperando há tanto...
Apressei tudo
Na esperança de poder ver logo.
Na esperança de ter tudo que é preciso antes de todo mundo.
Apressei ou fui apressado?
Quero ver o fim de algo que não sei como começou...
E isso me mata.
E isso me faz acelerar mais e mais.

Como se aprende a morrer se não se soube sequer nascer
Quanto mais viver?


sábado, 27 de novembro de 2010

Poesia (4.4)

Agridoce

Eu quero beijar você
E sentir o gosto agridoce
Da sua derrota.
E ver você no chão
Vai ser o meu maior prazer.

Você é cego
Você é aquele cego que escolhe não ver
Aquele cego que prefere deixar passar
Você não quer enxergar.
E eu não quero ficar do lado de um assassino
Que mata às cegas.

Você nunca vai me ver chorar.
Você nunca vai ver uma lágrima sequer
Ir de encontro ao chão.
Não por sua causa.
Você não merece sequer minha saliva.
E só você não percebe que sem mim
Você vai morrer só.

Você mentiu.
Você distorceu a sua realidade.
Mas não venha querer que eu mude a minha
Só para que você se sinta confortável.
Meu príncipe em seu cavalo branco
Morreu há tempos
E que Deus o guarde
Pois eu não tenho a intenção de ver
Nenhum morto andando pela minha vida,


domingo, 7 de novembro de 2010

Poesia (4.3)

Solo Só

A felicidade se rui por fim
Chegada a noite tenra.
E um dia que se fazia bom
Se faz agora perverso e obcusro.

Minha vida se mostra um solo denso.
É só cavar um pouco que o sangue jorra farto.
E jorra destruindo tudo
Jorra forte e determinado a derrubar tudo que me mata.
E aos poucos eu morro mesmo.
Morro sim.

Eu sou uma tragédia.
Trágico, trágico, trágico.
Continuo a me mover com sangue nos olhos
Tentando enxergar para onde vou
E se é que vou de fato.
Para onde caminham por mim
Já que não me movo com liberdade.

Quero esquecer muita coisa antes
De tentar tapar com suor e lágrimas
Meu solo aberto e exposto.
Quero que muitos se destruam e saiam
Da minha lavoura.
Quero escolher o que planto
Quero escolher o que colho.
E quero antes de mais nada
Saber onde piso.

E ao primeiro sinal de sangue
Quero correr longe
Pois acho que não aguento outro derrame como esse...


Poesia (4.2)

Esquerdos

Não tenho direitos.
Tudo que faço são deveres.
E eu que só queria ser feliz...

Logo eu que já levei tanta felicidade
E tantos sorrisos
A tanta gente
Não posso sorrir.
Não posso ser feliz.
Perdi esse direito há tempos.
Perdi até a vontade, diria
De tentar ser feliz.
Perdi meus desejos e alegrias,
Deixei-os em algum lugar.
Não joguei-os, nem me desfiz deles.
Antes que eu pudesse perdê-los
Eles foram tirados de mim
Brusca e avassaladoramente
E eu não posso fazer mais nada.

Permaneço inerte a tudo que me circunda
E guardo em mim
O sentimento de esperança
E que talvez um dia
Eu ache meus direitos num baú velho
Escondido embaixo da minha própria cama
Empoeirados
Mas ainda assim meus...


Música (0.6)

A letra fala por si.


Nicest Thing
Kate Nash


All I know is that you're so nice
You're the nicest thing I've seen
I wish that we could give it a go
See if we could be something

I wish I was your favorite girl
I wish you thought I was the reason you are in the world
I wish my smile was your favorite kind of smile
I wish the way that I dress was your favorite kind of style
I wish you couldn't figure me out
But you'd always wanna know what I was about

I wish you'd hold my hand when I was upset
I wish you'd never forget the look on my face when we first met
I wish you had a favorite beauty spot that you loved secretly
'Cause it was on a hidden bit that nobody else could see

Basically, I wish that you loved me
I wish that you needed me
I wish that you knew when I said two sugars, actually I meant three
I wish that without me your heart would break
I wish that without me you'd be spending the rest of your nights awake
I wish that without me you couldn't eat
I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep

All I know is that you're the nicest thing I've ever seen
And I wish we could see if we could be something
And I wish we could see if we could be something



sábado, 6 de novembro de 2010

Poesia (4.1)

Seguro

O que me segura?
O que me impede?
Estou preso a correntes que não vejo
Estou atrelado a pensamentos que não pensei
Estou morrendo aos poucos de um veneno
Que não sei se é meu.

Talvez minha ânsia por ser feliz
Me faça pensar que sempre consigo aguentar mais um pouco,
Que eu consigo suportar mais uma semana
Até que eu venha a ser feliz de novo.
Mas de que adianta
Ser feliz só nos fins de semana?

Quero uma vida plena e completa.
O problema é saber quais peças me completam.
Acho que poucas.
Minhas lacunas são difíceis de serem completadas.
Tem que ter jeito, manha, insistência.
E nem toda peça vai suprir
Minhas lacunas.

E eu não sei o que estou fazendo
Continuando a jogar com você...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Poesia (4.0)

Expectativas

Espero que estejamos juntos
Quando o nosso sol se puser.
Espero ainda que estejamos sóbrios
Quando precisarmos voltar a pé para casa
Na calada da noite.
Espero mais que isso,
Espero que sejamos felizes quando
Não houver mais finais felizes nos cinemas.

Torço para morarmos juntos
E ver o tempo passar devagar;
E torço para aproveitarmos
Cada segundo com amor,
Até mesmo os teimosos momentos de dor
Eu torço para que aconteçam
Para que só assim
Saibamos como a vida deve ser vivida
E ainda assim nos amarmos nas manhãs frias.

Então por fim
Quero que tudo isso se realize
Sem que eu tenha que derramar uma gota de sangue.
Mas que sim, tenhamos derramado todo o nosso suor e paixão.
E que isso nos sirva de lição:
Que o nosso sangue nunca deve ser derramado em vão
E que quando o for feito
Que seja para selar o amor.


Poesia (3.9)

Giro Só

Mostre-me o seu sol, por favor,
Antes que eu cegue;
Que não tenho outra opção
A não ser ser apenas um girassol.
Mas não quero ser uma flor perdida
Seguindo um eclipse que nunca cessa.
Quero ver você desde o nascer
E nunca o quero vê-lo morrer.
Mas por brilhar tanto, e para tantas
Será que você verá meu talo
Fazer malabarismos para seguir-te?

Fuja comigo!
Ou apenas arranque-me pelas raízes
E arranque-me rápido,
Rápido para que eu não sofra.
Não quero ser uma flor chorosa,
Não é o meu propósito.
Quero seguir o seu sol
E apenas o seu.
Quero ser sua flor, sua única flor.
E se um dia
Eu cegar e nunca curar,
Quero que cegues também.
Não desejo o mal, me entenda.
Apenas quero que olhes para mim,
E cego, que eu seja a única flor com a qual você sonha.

E talvez um dia,
Por vontade própria ou por mero acaso
Eu pare de seguir o seu sol.
Saiba que você não é o único sol do nosso universo;
Ele é infinito até onde me contaram.
Então, cuide de mim.
Pois meu talo cansado tenta fazer o máximo
Para seguir-te dia após dia.
E se um dia meu talo quebrar
Com o esforço
Ele não voltará a seguir o seu sol.
Sou flor sim
Mas não sou estúpida.
Hei de aprender o meu erro
E talvez um dia
Um outro sol me conquiste...


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Poesia (3.8)

Água Rubra

Os pulsos cortados
Deságuam no chão frio de linóleo
Minha dor antes latente
Agora branda.
Calmo e pálido
Eu caminho com dificuldade,
Não posso cair,
Pois não há no que me apoiar,
Não há quem vá me segurar.

De joelhos eu caminho
E deixo atrás de mim
Um rastro de sangue e dor
Que mostram a quem quiser saber
Onde eu estou indo.
Ando para o oeste,
Mas não há quem se interesse em saber para onde vou,
Esse interesse falso fora deixado de lado há muito.

Verde é a grama que cura meus joelhos.
Me arrasto até não haver mais dor em mim,
Me arrasto para longe daqui,
Para um lugar melhor.
Verde é a grama que me cura a alma.

Agora já sem vida, caio na grama verde,
Verde que me cura e me mostra quem sou.
Que eu valho algo.

Fecho os olhos para sonhar.
Sonho com uma vida nova,
Sonho em ser grama um dia
Em ser Verde...


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Poesia (3.7)

Meu Luxo é Ficar no Lixo

E eu me sinto sujo.
Sujo, imundo.
Impregnado por essa podridão,
Por essa falta de respeito,
Essa falta de respeito comigo mesmo.
Essa sujeira que eu mesmo crio.
Esse lixo que eu mesmo como.
Esse mal cheiro com o qual eu mesmo me perfumo.
Quero me ver livre disso.
Quero me ver limpo.

Limpeza que eu não acho,
Que eu não procuro, sendo sincero.
Limpeza que esbarra na minha vontade própria,
Na minha auto-estima.
Limpeza que eu prefiro deixar de lado
Para permanecer sujo por algum tempo.
É cômodo.
É fácil.
Fácil demais manter-me desse jeito.

Quero que tudo mude
Mas não quero mover um dedo.
Quero que todos mudem
Mas talvez isso me dê medo.

Quero, depois de limpo, manter-me assim,
Pois limpar toda a casa
E entrar com os pés enlameados
Não vale a pena.

domingo, 10 de outubro de 2010

Poesia (3.6)

Sonho do Beija-Flor


Me balanço deitado a essa rede
Suspensa no ar
Como um beija-flor.
Sob essa luz trêmula, fraca e adocicada
Eu olho de longe a minha vida acontecer.
E permaneço deitado...

Um cheiro mole e amargo sobe à minha vista.
Levanto da rede mais por curiosidade do que por vontade de mudar.
Vejo seis pessoas.
Vejo minha família.
Todos reunidos, vestindo roupas que nunca vi.
Circundam algo.
Não sei o que é.
Ando mais alguns passos.

A rede parece longe
A luz tremula mais e mais
O vento uiva baixinho em meus ouvidos:
“Morrestes...”

Me vejo deitado numa rede suspensa no ar.
Vejo que a luz tremula sem parar e agitada.
Pela última vez, vejo meu rosto e ele não está mais vivo.

E a rede cai
E a luz se acende
E eu acordo por fim...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Poesia (3.5)

Meu Amor

Quero logo!
Agora, agora!
Não me faça esperar muito!
Não me faça esperar nada!
Eu não aguento!
Eu não posso suportar esse tempo longe...
Vamos ficar juntos.
Pra sempre.
Pra todo o sempre.

Eu creio nisso.
Por mais invejados e desprezados que sejamos,
Eu acredito no amor.
Eu acredito no Meu Amor.
E por mais que me digam
Que isso não vai durar,
Que é passageiro,
Eu não escuto.
Meu coração sempre fala mais alto.
Eu nunca senti algo assim;
Nunca mesmo.
Então não consigo ouvir
Que isso não é de verdade,
Que isso não é AMOR.
Só eu sei o quanto o Amor me faz bem.
E esse Amor já me salvou de muitos erros,
Me ensinou muitas coisas.
E por mais que digam que um dia tudo acaba
Eu não ouço.
Eles não tem um Amor como o Meu.
Eles não tem um Amor como o nosso...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Poesia (3.4)

Deixe-me

Deixe-me.
Apenas deixe-me.
Eu gosto disso tudo.
Gosto do meu livro rasgado,
Do meu disco arranhado,
Da minha cara amassada,
Do meu osso partido,
Do meu coração...
Eu gosto dessa tristeza.
Eu gosto de ouvir Deus rindo às minhas costas
Irônico.
Então, deixe-me.
Apenas deixe-me aqui a definhar.
Eu não pedi para ser salvo.
Eu não pedi para ser socorrido.
Eu nunca pedi sua ajuda.
Eu não estou esperando meu príncipe
Num cavalo branco.
Eu estou esperando a morte.
E sei que ela virá.
É a minha única certeza...

Eu quero ficar aqui
Exatamente como você me conheceu
Exatamente como você me viu sempre:
Ao chão.
Quero ser visto de cima,
Parecer inferior.
Me faz bem.

Eu gosto da solidão.
Dos meus cubos de açúcar
Que só eu vejo como doce.
Eu gosto da minha tela rachada
Que mostra uma imagem honesta.
Eu gosto do meu espelho em cacos
Porque só assim
Eu vejo
Quem eu realmente sou.

Apenas deixe-me...

domingo, 15 de agosto de 2010

Prosa (0.2)

Um zumbido grosso e repetitivo inundava meus ouvidos ao passo que eu chegava à porta do quarto 107 do hotel. Eu tentava frustradamente me acalmar a força, o que resultava numa agonia maior ainda. Eu sabia que ela estaria ali. Eu sabia com quem ela estaria. E eu sabia o que estaria fazendo. O som compassado que eu ouvia aumentando era o som dos meus batimentos cardíacos. Espero que ele não falhe agora.

Parei. Parei à porta. O cheiro da raiva era agridoce. Era como se eu soube que algo meu, algo que eu prezava muito, estava prestes a se esvair. Era como se eu estivesse parado à porta do suicídio. Não um suicídio que iria me levar a óbito, mas algo que me deixaria em coma por um certo tempo. O maior dos fracassos pra mim seria não morrer por completo. Entretanto, eu não estava ali para morrer. Eu estava ali para matar. Matar aquilo que me corroía e que um dia eu chamei de amor.

Coloquei minha mão fria, trêmula e amarga na maçaneta abaloada da porta e girei...




Continua...

Poesia (3.3)

Deusa dos Mares

A Deusa dos Mares perdera os seus poderes
E vinha em minha direção.
Ela estava fria e dura,
Quase morta.
Tragédias aconteceram em seu reino.
Sua vida estava por um fio.
Dois guardas sereianos a seguiam
Mas todo o esforço que eles fizeram fora em vão,
Também eles morriam.
E ela olhava o céu
Como quem olha um filho morto.


A Deusa dos Mares estava morrendo.
E ela morria em meus braços;
Com meu corpo acalantando-a...
Eu que não era mais do que um mero humano
Segura o corpo de uma Deusa em meu colo...
Esse meu colo feito de pecado
Tentava pela última vez
Dar a vida.

Tenho a Deusa dos Mares em meu colo...



sábado, 14 de agosto de 2010

Poesia (3.2)

Morcego

Não faça!
Por favor, não faça!
Se for pra ver isso tudo
Ser jogado na minha cara
Como cobrança depois,
Não faça!
Não quero sua esmola pequena.
Não preciso da sua humilhação.
Não preciso disso.

Não me jogue fora
Pra depois sacudir a poeira
E pedir desculpas.
Toda vez que eu caio
Meus ferimentos aumentam
E nem sempre
Os sanativos que você usa
Os cura por completo;
Os sara.
Se for me jogar no chão mais uma vez
Pense que talvez essa possa ser a última.

Não quero ter que rastejar por você
Toda vez que me vir necessitado.
Não quero ter que saber que eu sou apenas
Um a mais
E nada mais...
Eu quero mais.
Mais de você.
Mais de mim.
E se eu não for suficiente...
Me jogue no chão mais uma vez.
Eu sempre volto...
Eu sempre volto machucado...
Mas eu sempre volto...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Poesia (3.1)

Questionário

Por mais que eu faça
Nada parece importar.
Nada que vem de mim
Parece ter algum significado.
O que vem de fora
Parece ser melhor.
Como se meu sangue
Que é o seu
Fosse sujo.
O que é de casa nunca se faz presente.
Presente.
Presente dado por mim.

O que eu tenho que fazer
Pra ouvir da sua boca
Que eu sou tudo que importa?
Por que eu tenho que ouvir elogios a outros
Se aos meus ouvidos
Nenhum elogio chega?
Por que eu tenho que sofrer
Quando você está errado?
Por que eu tenho que dizer
Quando você está errado?
Eu odeio tantos “por quês”.
Porque eu te amo.
Esse porque explicativo
Talvez seja o único que me faça entender
Porque eu ainda vivo...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Poesia (3.0)

Tempo Longe

Como conseguir passar um tempo sem você
Se o que eu conheço por ar
É você quem me traz?
Tudo que eu conheço
Tudo que eu amo
Tudo que eu quero pra mim
Pro resto da minha vida
Está em você.

Mas me fazer sofrer é covardia.
É como jogar fora um terço do seu prato favorito.
É desperdício
De mim.
E eu não quero me jogar fora.

Eu quero ver nos seus olhos
O futuro que eu vejo pra gente,
O futuro que só eu sei que vai acontecer
Porque eu faço o que for preciso
Pra ter você ao meu lado.

A coisa que eu mais quero
É acordar ao seu lado
E saber que a gente vai ficar juntos pra sempre,
Porque se um dia
Eu não mais pensar nisso
Eu posso parar de viver
Porque se for pra ter um futuro
Que seja sem você
Não tenho mais motivo algum pra viver.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Poesia (2.9)

O Fim Por Fim

Como impedir que uma tragédia iminente aconteça?
Como parar o tempo?
Ou até mesmo voltá-lo?
Você está morrendo dentro de mim e não há o que você
Possa fazer para impedir que isso aconteça.
Você está morrendo. E não há nada que ninguém possa fazer...
Queria poder salvar você de morrer.
Mas você está vivo.
E eu vivo em você.
Mas quando você morrer em mim
Não vai haver mais nada que se possa fazer...
Nada resolverá.
Você era tudo pra mim.
Você era o que me fazia querer acordar de manhã.

Juntos nós éramos ilimitados...
Mas hoje não há mais um “nós”.
Há um eu.
Um você.
Um eles...
E eles...
A culpa também não é deles.
A culpa não é de ninguém.
Culpe a si mesmo se quiser.
Eu não sei pôr a culpa em quem eu não acho que merece.
Juntos nós éramos ilimitados.
E hoje é melhor voarmos sozinhos.
Talvez voemos, enfim, livres...
Livres de nós mesmos...

Prosa (0.1)

Caminho

Um choro forte e compulsivo ata minha garganta. Ele não desce. Ele não desce. É como se uma grande parte de mim tivesse morrido. Sem mais nem menos. Nada morre com aviso prévio. E eu sigo caminhando. Sigo...? Tenho que seguir. Mas esse choro me ata a minha cama. A minha vida monótona de sempre. Esse choro que não me deixa ser feliz. Por que não desce? Por que não me deixa ser feliz? Por que esse choro não encontra seu próprio caminho para fora de mim. A pior das armadilhas foram aquelas que eu armei para mim mesmo. Meu choro não vai descer. Eu não saberia viver sem ele. Meu choro sou eu. Minha tristeza é só minha. E eu cuido dela como uma mãe cuida de seu filho recém-nascido. Sem ele eu não saberia viver. Eu vivo uma depressão pós-parto que não tem fim. Minha tristeza é a melhor parte de mim, e é aquela que eu mais quero ver longe. Porque talvez um dia... Talvez um dia eu consiga viver novamente. E talvez um desabafo como esse se faça útil mais na frente, e talvez ele seja um pouco mais feliz. Por agora eu sou só mais um escravo da minha falta de coragem. Preciso voltar a sofrer. Até mais...

domingo, 11 de julho de 2010

Poesia (2.8)

La mort

Prefiro me decepcionar sempre
A achar que tudo vai dar errado.
Prefiro pensar que o impossível
Possa vir a acontecer
A ter medo de dar o primeiro passo
E nunca saber se de fato eu conseguiria.
Prefiro quebrar a cara dez vezes
A ser infeliz com medo de cair.
Prefiro morrer cedo
A viver uma vidinha medíocre atrás de grades de proteção.
Prefiro amar e arriscar tudo uma vez
Mesmo sabendo que um dia pode acabar
A olhar o espelho com desprezo
Por não ter tido a audácia de tentar um amor.
Prefiro ser infeliz a minha vida inteira
A me contentar com a felicidade dos outros.
Prefiro ficar amarrado, vedado, e amordaçado
A ter que escrever o que eu não sinto.
Prefiro morrer agora
A ter que parar de escrever minha poesia.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Poesia (2.7)

Matéria...?

Como são as pessoas?
De que elas são feitas?
A biologia me explica?
Não.
A história?
Talvez...
Mas o que faz de você o que você é?
O que torna você alguém diferente de todo mundo?

Sua criação.
Sua criação foi algo só seu.
Não importa com quem você foi criado
Ou no meio de quantos.
O que fez de você o que você é hoje
É só seu.

Mas isso é mutável?
Tem como destruir minhas bases e construir outras.
É difícil.
O que seu criador fez em você
Marcará sua vida sem precedentes:
Um pai agressivo
Uma mãe submissa
Uma irmã mandona
Um irmão mais velho e mandão
Uma avó carinhosa
Uma tia que lhe enchia de mimos.

Talvez o que torne você quem você é
Seja você mesmo.
Mas o homem é um fruto do meio
Também.
E não só disso.
Somos a junção de quedas, tropeços
Amores, frustrações, brincadeiras, fofocas,
Doces, pães, livros, filmes...
O que me faz ser quem eu sou é o que eu vivi.
E eu espero que isso tenha valido a pena
Porque se não, eu não vali a pena.

domingo, 13 de junho de 2010

Poesia (2.6)

Fui Levado

Abaixei minha cabeça
E fui levado.
Levado para longe.
Para onde eu não teria que ser eu.
Onde eu sou obrigado a ser tudo que eu tento não ser.
Um lugar triste, frio, sem amor.
Fui obrigado a chegar até esse lugar
Sem nenhuma reclamação.
Não tinha para onde ir.

E se eu fugir?!
Não adianta.
Eu sempre volto para lá.
Minha cabeça nunca se ergue.
Minha voz nunca se exalta.
Minha vida nunca valeu a pena nesse lugar.

Fui levado de mãos atadas.
Com sal nos olhos
Eu tento não chorar.
Com sal nos olhos
Eu tento ser forte.
Mas não dá.

Fui levado na covardia de uma transa.
E me vejo aqui sem ter para onde ir.
Pois é aqui que eu fui concebido.
E é aqui que eu devo ficar.

Quando abro minha janela, sonho.
Sonho com o mundo lá fora.
Com um mundo de possibilidades.
Mas isso está tão distante...

Fui levado para onde não queria estar.
Estou preso.

Fui levado para casa.

Poesia (2.5)

Ranger de Dentes

E na hora do ranger de dentes
Eu sorrio.
Abro um largo sorriso acalante
Para mostrar que está tudo bem.
Quando nunca está.

Na hora do ranger de dentes
Eu faço uma piada.
E vejo brotarem sorrisos,
Sorrisos que não me fazem sorrir.

E quando eu vejo um ranger de dentes
Eu sorrio mais uma vez.
Pra ver se posso consertar o que eu não quebrei.
Pra ver se posso ajudar o sorriso dos outros nascer.

E quando eu quero ver um ranger de dentes
É fácil.
Apenas expurgo os meus dentes rangidos.
Mas eles não são bem-vindos.

Na hora do ranger de dentes...
Simplesmente sorrio.

domingo, 9 de maio de 2010

Poesia (2.4)

Enfado

Estou cansado de ouvir tantas perguntas.
Perguntas com respostas óbvias.
Estou cansado de ouvir tantas reclamações
Por coisas tão pequenas.
Estou cansando de ter que aturar os mimos
Dos outros.

Minha vida mudou tanto
Em tão pouco tempo
Que eu jamais me imaginaria onde estou.
Jamais me imaginaria sendo o que sou.
Verdade seja dita, eu mudei pra melhor.
Mas mudar pra melhor significa ter que sofrer
E mudar pra melhor sempre é o que eu queria ter.
Porque mudar pra melhor, pra mim, foi pior.

E estou cansando de ter que ver meus antigos,
E já passados defeitos, em outras pessoas.
E estou me cansando de lutar.
Se o juiz começar a contagem,
Eu não vou me levantar.

Mas eu mudei pra melhor...
E daí?
O mundo não ficou melhor.
As pessoas que me circundam mudaram,
Demais.
E o mundo não ficou melhor.
Eu preferia ter continuado pior
Do que ter que ver o pior nos outros.
Porque quem me amava de verdade via meus defeitos
Sem problemas maiores.
Mas eu não consigo ver meus defeitos
Nessas pessoas.
Cansa demais...

Mas eu mudei pra melhor...
E daí?
O mundo não ficou melhor.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Música (0.5)

Eu já conhecia essa música, mas não sabia o quão linda ela era, e agora que tocou em Glee eu tô extremamente apaixonado pela faixa. O nome é: Total Eclipse of the Heart.
O link da versão de Glee é este:http://www.youtube.com/watch?v=jYqVcrihGqc
E o link da versão orginal, pra quem quiser comparar XD é este:http://www.youtube.com/watch?v=7Ujmb3jQAJE


Turn around, every now and the I get a little bit lonely and you're never coming round
Turn around, every now and the I get a little bit tired of listening to the sound of my tears
Turn around, every now and the I get a little bit nervous that the best of all the years have gone by
Turn around, every now and then I get a little bit terrified and then I see the look in your eyes

Turn around, bright eyes
Every now and then I fall apart
Turn around, bright eyes
Every now and then I fall apart

And I need you now tonight
And I need you more than ever
And if you only hold me tight
We'll be holding on forever
And we'll only be making it right
Cause we'll never be wrong
Together we can take it to the end of the line
Your love is like a shadow on me all of the time
I don't know what to do and I'm always in the dark
We're living in a powder keg and giving off sparks

I really need you tonight
Forever's gonna start tonight
Forever's gonna start tonight
Once upon a time I was falling in love
But now I'm only falling apart
There's nothing I can do
A total eclipse of the heart
Once upon a time there was light in my life

But now there's only love in the dark
Nothing I can say
A total eclipse of the heart
Turn around, bright eyes
Every now and then I fall apart
Turn around, bright eyes
Every now and then I fall apart

And I need you now tonight
And I need you more than ever
And if you only hold me tight
We'll be holding on forever
And we'll only be making it right
Cause we'll never be wrong
Together we can take it to the end of the line

Your love is like a shadow on me all of the time
I don't know what to do, I'm always in the dark
We're living in a powder keg and giving off sparks
I really need you tonight
Forever's gonna start tonight
Forever's gonna start tonight

Once upon a time I was falling in love
But now I'm only falling apart
Nothing I can say
A total eclipse of the heart
A total eclipse of the heart

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Poesia (2.3)

Lágrimas Vivas

Por que essa lágrima não cai?
Por que não desce?
O caminho do rosto é tão difícil assim?
Será que ela tem medo de sair?
De ver o mundo lá fora?

Essa lágrima está presa à minha garganta.
E ela me sufoca.
E ela me deixa sem palavras.
E ela me aperta o peito
E faz com que eu não queria viver.
Essa lágrima está sendo meu veneno
Em doses pequenas; eu morro.
E não tem nada que faça querer viver
E não tem nada que me prenda aqui.

Então por que não beber esse choro todo?
Por que não mergulhar nessa solidão acompanhada
Que me faz miseravelmente triste?
Acho que saber que posso consertar as coisas me conforta.
Mas e quando não fui eu que quebrei nada?
Tenho que colar o que eu não joguei no chão?
Fazer o trabalho pesado pelos outros?
Me sacrificar?
Me martirizar?
Sofrer mais ainda?!

Eu prefiro ter um pássaro por perto
A ter que cair para poder voar sozinho.

Poesia (2.2)

Estacinário

Onde está aquele menino?
Onde ele foi parar?
Aquele menino...
Cheio de sonhos!
Ele que queria tanto,
Ele que queria tudo!
Astronauta,
Médico,
Advogado,
Grande.
Tudo isso ele quis ser.

Mas onde foi parar?
Onde foi enterrado?
Estará olhando para mim com desprezo?
Estará aquele menino olhando para mim com pena?
Estará aquele menino feliz em me ver?

Aquele menino morreu.
E as lágrimas que correm em meu rosto
São as dele.
São as minhas.

Onde foram parar os sonhos?
Onde foram guardados os sonhos?
Por que eles não voltam?
Não, melhor não.
Seria doloroso demais voltar a sonhar...

domingo, 2 de maio de 2010

Poesia (2.1)

Ainda bem...

Não poderia estar mais feliz
Poderia?
Não poderia estar mais cheio de graça
Poderia?
Não poderia estar mais bonito
Poderia?

Ainda bem que não
Ainda bem que está tudo bem.
Ainda bem que ninguém mais reclama.
Ainda bem que tudo está como sempre fora.
Ainda bem que estão todos mortos.
Ainda bem.

Poderia estar mais triste?
Poderia estar mais feio?
Poderia estar mais morto?
Não poderia.

Porque ainda bem tudo está bem outra vez.
E não precisa mais matar ninguém.
Porque todos estão mortos.

Não poderia estar mais feliz
Poderia?

terça-feira, 27 de abril de 2010

Poesia (2.0)

Apenas um Jogo

Lembro-me de um jogo.
Um jogo como que um quebra-cabeça.
Só que mais simples.
O objetivo era colocar formas geométricas
Dentro de seus respectivos encaixes.
Cada peça encaixava-se perfeitamente.
Perfeitamente.

Hoje em dia
Vejo-me jogando o mesmo jogo
Apenas com a diferença de que
Não consigo fazer com que nos encaixemos.
Meu triângulo não cabe no seu quadrado.
Simplesmente não cabe.
Não foi feito para se encaixar.

Me esforço ao máximo para,
Pelo menos,
Mantê-los juntos,
Pertinho um do outro.
Para que eles possam sentir o calor
Que o outro passa.

Mas não se encaixam.
E quando eu parar de me esforçar
Para mantê-los juntos
Não haverá força nenhuma
Que possa juntá-los.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Poesia (1.9)

Cotidiano

Quando tudo estiver indo por água a baixo
Sorria.
Não deixe que os outros fiquem tristes.
Finja.
Finja bem.
Finja tão bem que você começará a acreditar
Que você não está mais fingindo.
Porque se estão felizes ao seu redor
Por que você não estaria feliz?

Por mais que suas lágrimas não derramadas
Sangrem por dentro,
Ardam como sal,
Queimem como metal aquecido,
Sorria!

Você não tem o direito de demonstrar que chora.
Você não pode.
Porque você nasceu pra fazer com que sejam felizes.
Sua felicidade é totalmente irrelevante.
Sua felicidade não o levará a lugar algum.

E quando for cobrar um sorriso de alguém
Pense duas vezes.
Pois você não merece que ninguém lhe sorria.
Pois se o sorriso de outrem lhe faz feliz
Você não estaria cumprindo sua tarefa;
O sorriso dos outros pode lhe distrair.
E você não quer ser feliz;
Quer?

sábado, 24 de abril de 2010

Poesia (1.8)

Ilimitados


Acho que é um tipo de amor
Que dura pra sempre.
Que certamente não acaba.
Que vai deixar marcar em tudo que eu fizer.
E eu acho que minha vida não seria a mesma
Tenho certeza que a minha vida não seria a mesma.
Porque simplesmente eu não consigo não pensar em você.
Você vai sempre estar lá pra mim,
E pode contar comigo.
Pode contar comigo sempre.
Porque se não fôssemos amigos...
Eu não sei o que eu faria.
Eu acho que...
Eu não acho nada.
Eu sei que minha vida não seria tão boa
Divertida.

Quem pode dizer que eu mudei pra melhor?
Eu acredito que mudei pra melhor.
E só porque eu te conheci.
Só porque eu te conheci.
Eu mudei pra sempre.

Juntos nós somos ilimitados!
Juntos nós SOMOS.
E se você acha que voar sozinho é o mesmo que voar livremente
Eu acho que você está enganado.
Porque juntos nós somos ilimitados.

E eu não só ouvi dizer, como eu sei que
Se eu não conhecesse você
Eu não seria nada do que eu sou hoje.
Porque a gente se ajuda.
Porque a gente sabe que juntos somos ilimitados.

Não esquece que juntos nós somos ilimitados!


segunda-feira, 12 de abril de 2010

Poesia (1,7)

Oka-san

Como fazê-la acreditar que eu não minto?
Que eu apenas não posso dizer a verdade?
Como convencê-la de que eu não sou uma rapariga
Nem um puto, nem um animal, nem um idiota?
Como lidar com as duas faces que ela apresenta por vezes?
Uma calma e solidária, outra, a mais frequente, que me xinga
E quer que eu morra?

Não quero passar a minha vida inteira escondido.
Não quero ouvir tudo isso toda vez que eu fico feliz.
Por que eu não posso ser feliz, enquanto ela tem uma vida
Que não a agrada?
Inveja não deveria ser um sentimento que ela deveria
Alimentar em relação a mim.

Não preciso sofrer tudo isso.
Eu posso ser submisso, eu posso ser gentil,
Eu posso me humilhar, eu posso não ser eu.
Não seria melhor que eu não tivesse nascido?!
Ou apenas mudar minha personalidade inteira.
A primeira opção é mais fácil de ser alcançada.

Então, como lidar com uma pessoa que você tem que ver todo dia?
E essa pessoa não sabe conversar, lidar ou até mesmo falar com você?
Eu quero ter minha vida de volta.
Eu quero poder ser independente e não ter que dizer para onde vou sair!
Eu quero poder chegar a hora que quero, e dormir com quem quero!
Eu quero ser grande!
Eu preciso!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Poesia (1.6)

Rua dos Bobos


Com quantos tijolos se constrói uma casa?
Com quantos atos se constrói uma vida?
Em quanto tempo se constrói uma casa?
Em quanto tempo se constrói uma vida?
Uma casa se faz com vários tijolos.
Uma vida se faz com vários atos.
Uma casa leva alguns meses.
Uma vida leva alguns anos.

Em quanto tempo se destrói uma casa?
Em quanto tempo se destrói uma vida?

Com poucos utensílios e algumas horas
Deixa-se uma casa em ruínas.
Com algumas palavras, ou pequenos atos,
Se finda uma vida.
E uma vida vale uma casa?
E uma casa pode manter uma vida?
Quantas casas deixam você vivo?
Porque minha casa deve ser minha vida?
Quero minha casa pra sempre?
Quero minha vida pra sempre,
Isso eu quero.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Música (0.4)

Essa é uma música de um musical da Broadway chamado Wicked, que conta a história da Bruxa Má do Oeste (O mágico de Oz) em uma nova perspectiva. A música abaixo é a música do último encontro entre duas grandes amigas separadas por várias razões, é linda.


FOR GOOD - WICKED

ELPHABA
I'm limited:
Just look at me - I'm limited
And just look at you -
You can do all I couldn't do, Glinda
So now it's up to you
(spoken) For both of us
(sung) Now it's up to you:

GLINDA
I've heard it said
That people come into our lives for a reason
Bringing something we must learn
And we are led
To those who help us most to grow
If we let them
And we help them in return
Well, I don't know if I believe that's true
But I know I'm who I am today
Because I knew you:

Like a comet pulled from orbit
As it passes a sun
Like a stream that meets a boulder
Halfway through the wood
Who can say if I've been changed for the better?
But because I knew you
I have been changed for good

ELPHABA
It well may be
That we will never meet again
In this lifetime
So let me say before we part
So much of me
Is made of what I learned from you
You'll be with me
Like a handprint on my heart
And now whatever way our stories end
I know you have re-written mine
By being my friend:
Like a ship blown from its mooring
By a wind off the sea
Like a seed dropped by a skybird
In a distant wood
Who can say if I've been changed for the better?
But because I knew you:

GLINDA
Because I knew you:

BOTHI have been changed for good

ELPHABA
And just to clear the air
I ask forgiveness
For the things I've done you blame me for

GLINDA
But then, I guess we know
There's blame to share

BOTH
And none of it seems to matter anymore

GLINDA ELPHABA
Like a comet pulled Like a ship blown
From orbit as it Off it's mooring
Passes a sun, like By a wind off the
A stream that meets Sea, like a seed
A boulder, half-way Dropped by a
Through the wood Bird in the wood

BOTH
Who can say if I've been changed for the better?
I do believe I have been changed for the better?

GLINDA
And because I knew you:
ELPHABA
Because I knew you:

BOTH
Because I knew you:
I have been changed for good.