E você me tem
E você me tem
Por completo.
Todo.
Tudo.
E não temo,
Nada,
De forma alguma.
Porque o que é mais importante
Em mim
É você.
A melhor parte do que eu sou
É sua.
E eu sou muito bom por ter você
Dentro de mim;
Comigo.
E é esse amor;
Sempre esse amor;
Todo dia esse amor;
Todo dia você,
Queme faz querer,
Que me faz querer querer;
Viver.
Colho os mais doces frutos
Todos os dias.
Os frutos do nosso amor.
Queria você ontem,
Sei que vou querer você amanhã.
Mas o querer você de agora que me faz querer,
Querer viver.
sábado, 24 de dezembro de 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Poesia (9.1)
Neve de Verão
As imagens se distorcem
Com o passar dos dias frios.
É um verão gélido.
Com poucos dias de sol,
Com muita chuva,
Com neve...
Nada do que podia se esperar
Se tornara realidade.
A primavera havia sido tão boa
Com suas flores majestosas.
Tudo da primavera agora ficara pra trás.
Não há mais aquele calorzinho
Que esquenta os ossos.
Tudo que restara é o verão e o seu frio,
Suas chuvas torrencias
E sua espantadoramente nova
Neve.
Minha visão turva
Só vê o reflexo de uma primavera
Aqui e acolá.
Nada muito estável.
Indago o que teve essa primavera de tão especial.
Acho que a saudades reinou;
O amor mesmo.
Mas um amor diferente.
Como se fosse o começo de tudo
Não o meio
Ou até mesmo o fim.
Um amor de início
Quente, de verão.
Não desse verão.
De verões passados.
Verões mortos;
Saudosos.
E a neve é a pior parte...
As imagens se distorcem
Com o passar dos dias frios.
É um verão gélido.
Com poucos dias de sol,
Com muita chuva,
Com neve...
Nada do que podia se esperar
Se tornara realidade.
A primavera havia sido tão boa
Com suas flores majestosas.
Tudo da primavera agora ficara pra trás.
Não há mais aquele calorzinho
Que esquenta os ossos.
Tudo que restara é o verão e o seu frio,
Suas chuvas torrencias
E sua espantadoramente nova
Neve.
Minha visão turva
Só vê o reflexo de uma primavera
Aqui e acolá.
Nada muito estável.
Indago o que teve essa primavera de tão especial.
Acho que a saudades reinou;
O amor mesmo.
Mas um amor diferente.
Como se fosse o começo de tudo
Não o meio
Ou até mesmo o fim.
Um amor de início
Quente, de verão.
Não desse verão.
De verões passados.
Verões mortos;
Saudosos.
E a neve é a pior parte...
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Poesia (9.0)
Há de Haver
Há dias em que não há dias.
Não há cor,
Não há fome,
Não há vontade,
Não há você.
Há dias em que eu não hei,
Que por não haver você
Não hei eu de querer viver.
Sinto as faltas.
Falta você, falto eu,
Faltamos nós.
Esse ridículo verbo que me força
A querer você
A querer a mim.
Esses dias sem você
São dias que não
Hei.
Há dias em que não há dias.
Não há cor,
Não há fome,
Não há vontade,
Não há você.
Há dias em que eu não hei,
Que por não haver você
Não hei eu de querer viver.
Sinto as faltas.
Falta você, falto eu,
Faltamos nós.
Esse ridículo verbo que me força
A querer você
A querer a mim.
Esses dias sem você
São dias que não
Hei.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Poesia (8.9)
Névoa
Se você soubesse
O mal que você me faz
Quando não me responde rápido,
Quando não me trata com carinho,
Quando finge que tá tudo bem.
Quantas vezes eu já não chorei sem querer,
Perdi o apetite,
Noites sem dormir.
Quando eu penso que estou feliz
E que as coisas não poderiam estar melhores
Um simples olhar seu
Ou um silêncio
Me quebra
E me vira em lágrimas.
Me odeio por amar você.
Odeio o besta que eu sou
Perto de você.
Cada pedaço de amor
Parece não valer de nada.
Uma montanha russa inerte
Que não para de fazer o mesmo movimento
Sempre e sempre.
Desejo enfiar minhas garras cegas
No meu peito demente
E arrancar;
Dilacerar
Todo o amor que sinto,
Todo o amor que não minto,
E poder ser leve
E poder ser névoa de novo...
Se você soubesse
O mal que você me faz
Quando não me responde rápido,
Quando não me trata com carinho,
Quando finge que tá tudo bem.
Quantas vezes eu já não chorei sem querer,
Perdi o apetite,
Noites sem dormir.
Quando eu penso que estou feliz
E que as coisas não poderiam estar melhores
Um simples olhar seu
Ou um silêncio
Me quebra
E me vira em lágrimas.
Me odeio por amar você.
Odeio o besta que eu sou
Perto de você.
Cada pedaço de amor
Parece não valer de nada.
Uma montanha russa inerte
Que não para de fazer o mesmo movimento
Sempre e sempre.
Desejo enfiar minhas garras cegas
No meu peito demente
E arrancar;
Dilacerar
Todo o amor que sinto,
Todo o amor que não minto,
E poder ser leve
E poder ser névoa de novo...
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Poesia (8.8)
Fúria
A cólera sobe meu corpo
Como uma serpente
Dentro das minha veias.
Um ódio maciço
Chegando aos meus olhos.
Desprezo, é tudo que me fazes sentir
Vendo teu sorriso mole
De álcool e luxúria.
De traições aos sentimentos
Que um dia jurastes sentir por mim.
Sentimentos que hoje foram expurgados do meu coração
Como veneno que me corroía.
Fico verde
De ódio,
Verde como meus olhos,
De ódio.
Verde que um dia fora dito o mais belo.
Hoje só passa de mais um.
Não faria tudo de novo
E me enojo ao lembrar
Que entreguei tanto de mim
E me fiz contente com o pouco
Ou mesmo as sobras de ti.
Ainda bem que aquele “pra sempre”
Acabou.
A cólera sobe meu corpo
Como uma serpente
Dentro das minha veias.
Um ódio maciço
Chegando aos meus olhos.
Desprezo, é tudo que me fazes sentir
Vendo teu sorriso mole
De álcool e luxúria.
De traições aos sentimentos
Que um dia jurastes sentir por mim.
Sentimentos que hoje foram expurgados do meu coração
Como veneno que me corroía.
Fico verde
De ódio,
Verde como meus olhos,
De ódio.
Verde que um dia fora dito o mais belo.
Hoje só passa de mais um.
Não faria tudo de novo
E me enojo ao lembrar
Que entreguei tanto de mim
E me fiz contente com o pouco
Ou mesmo as sobras de ti.
Ainda bem que aquele “pra sempre”
Acabou.
Poesia (8.7)
Debruçado
Deitado de bruços
No chão frio
Do banheiro sujo
Com a cabeça na mão
E o coração apertado.
Terminando de escrever em sangue
Minha última carta.
Enquanto minhas mãos
Ainda suportam os requerimentos
Da mente
Que as obriga
A passar para o papel úmido
Minha dor tangível.
Não sei quanto tempo ainda me resta.
Também não sei se ainda me resta algo.
Creio que eu seja o resto.
E de resto, nada mais provavelmente me resta.
Não posso ser base,
Não tenho tanta força para segurar
Nada acima de mim.
Também não posso ser topo
Não sei ser importante o suficiente
Para estar tão acima.
Então mantenho-me regular
Mediano e extremamente comum.
E com o que ainda me resta de sangue
Tento achar meu lugar nesse mundo
Mas tudo que vejo
É o chão sujo
Desse banheiro frio.
Deitado de bruços
No chão frio
Do banheiro sujo
Com a cabeça na mão
E o coração apertado.
Terminando de escrever em sangue
Minha última carta.
Enquanto minhas mãos
Ainda suportam os requerimentos
Da mente
Que as obriga
A passar para o papel úmido
Minha dor tangível.
Não sei quanto tempo ainda me resta.
Também não sei se ainda me resta algo.
Creio que eu seja o resto.
E de resto, nada mais provavelmente me resta.
Não posso ser base,
Não tenho tanta força para segurar
Nada acima de mim.
Também não posso ser topo
Não sei ser importante o suficiente
Para estar tão acima.
Então mantenho-me regular
Mediano e extremamente comum.
E com o que ainda me resta de sangue
Tento achar meu lugar nesse mundo
Mas tudo que vejo
É o chão sujo
Desse banheiro frio.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Poesia (8.6)
A Chegada das Horas
Tossindo sangue.
Caindo.
Segurando-me em paredes mal acabadas.
Andando torto,
Sem sapatos.
Indo pra casa.
Finalmente.
Desculpe.
Tenho que ir.
A hora chegara
Há muito.
Desculpe
Deixar sua casa assim
Tão rápido.
Mas algo me chama.
Algo que eu preciso buscar.
Algo que eu tenho que aprender a amar.
Fomos grandes amigos.
Companheiros de coisas que eu nunca
Imaginara fazer.
Queria que as coisas fossem melhores.
Queria que as pessoas soubessem que foi lindo.
Desculpe-me por ter ido.
Alguém tinha que ter dado o primeiro passo.
Espero me achar de novo
E aprender a me amar como deveria ter sido.
E espero depois encontrar você
E que sejamos diferentes,
E que sejamos melhores.
E que saibamos que a hora chegara, por fim.
Tossindo sangue.
Caindo.
Segurando-me em paredes mal acabadas.
Andando torto,
Sem sapatos.
Indo pra casa.
Finalmente.
Desculpe.
Tenho que ir.
A hora chegara
Há muito.
Desculpe
Deixar sua casa assim
Tão rápido.
Mas algo me chama.
Algo que eu preciso buscar.
Algo que eu tenho que aprender a amar.
Fomos grandes amigos.
Companheiros de coisas que eu nunca
Imaginara fazer.
Queria que as coisas fossem melhores.
Queria que as pessoas soubessem que foi lindo.
Desculpe-me por ter ido.
Alguém tinha que ter dado o primeiro passo.
Espero me achar de novo
E aprender a me amar como deveria ter sido.
E espero depois encontrar você
E que sejamos diferentes,
E que sejamos melhores.
E que saibamos que a hora chegara, por fim.
Poesia (8.5)
Silêncio
Silêncio gritado
Expurgado da minha garganta.
Como quem briga,
Como quem fazer uma rebelião.
Silêncio estranhado.
Máscaras velhas,
Arruinadas.
Máscaras cansadas,
Sonoras, estardalhantes.
Escandalosas e falsas.
Máscaras emprestadas
Ao longo do tempo
Que se confundiram com meu rosto.
Mas o silêncio é meu.
Sou eu quem grito essas palavras caladas.
É minha garganta que se cansa de tanto silêncio.
Minha voz me foi roubada.
E eu não tenho interesse de procurar seu ladrão.
Não tenho a mínima vontade de recuperá-la.
A mínima vontade de ter minha voz de volta.
Quero ficar calado.
Sentado.
Parado.
Esperando
Minha voz achar seu caminho de volta
À minha garganta.
Sim.
Silêncio gritado
Expurgado da minha garganta.
Como quem briga,
Como quem fazer uma rebelião.
Silêncio estranhado.
Máscaras velhas,
Arruinadas.
Máscaras cansadas,
Sonoras, estardalhantes.
Escandalosas e falsas.
Máscaras emprestadas
Ao longo do tempo
Que se confundiram com meu rosto.
Mas o silêncio é meu.
Sou eu quem grito essas palavras caladas.
É minha garganta que se cansa de tanto silêncio.
Minha voz me foi roubada.
E eu não tenho interesse de procurar seu ladrão.
Não tenho a mínima vontade de recuperá-la.
A mínima vontade de ter minha voz de volta.
Quero ficar calado.
Sentado.
Parado.
Esperando
Minha voz achar seu caminho de volta
À minha garganta.
Sim.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Poesia (8.4)
Espuma
Saí do mar,
Caminhei pela areia.
Cortei meus pés em rochedos,
Sangraram de dor meus olhos.
Conheci novos mundos.
Vi espelhos
Que me viram
Assustados, curiosos.
Fitei a vida que eu almejara
Há tanto.
Almejei por fim fitar a água
Salgada mais uma vez.
Quero voltar;
Cortado, calado, sem ar.
Pisar nesse mar e deixá-lo
Ser em mim;
Curar minhas pernas cansadas.
Vai arder.
Mas serei capaz de respirar
Por fim.
Quero voltar,
Voltar ao mar.
Mas se eu o fizer
Talvez espuma
Tenha sido o que me sobrou dele.
Talvez seja espuma
O que eu me torne
Ao tocá-lo de volta...
Talvez espuma seja o que eu queira me tornar...
Saí do mar,
Caminhei pela areia.
Cortei meus pés em rochedos,
Sangraram de dor meus olhos.
Conheci novos mundos.
Vi espelhos
Que me viram
Assustados, curiosos.
Fitei a vida que eu almejara
Há tanto.
Almejei por fim fitar a água
Salgada mais uma vez.
Quero voltar;
Cortado, calado, sem ar.
Pisar nesse mar e deixá-lo
Ser em mim;
Curar minhas pernas cansadas.
Vai arder.
Mas serei capaz de respirar
Por fim.
Quero voltar,
Voltar ao mar.
Mas se eu o fizer
Talvez espuma
Tenha sido o que me sobrou dele.
Talvez seja espuma
O que eu me torne
Ao tocá-lo de volta...
Talvez espuma seja o que eu queira me tornar...
Poesia (8.3)
Ciclo da Chuva
Uma noite inesperada;
Uma semana corrida;
Uma coruja molhada;
Um pedido sem saída.
Um ano, dez meses e uma vida.
Separados por tantos,
Unidos por poucos.
Continue andando, meu amigo,
Que a vida é pouca
E o amor é muito.
Não posso lhe dar minha mão
Se você não quiser minha vida,
Pois junto com tudo
Vem antes
Meu coração.
Deixei meu Parnasiano em seu retiro.
Trouxe ou, até mesmo, veio comigo
O mais ultra dos meus Românticos.
E é ele que toma as rédeas aqui.
Foi o meu Romântico
Que fez chover
Quando precisávamos de água.
Foi ele quem te deu aquela coruja encharcada
E é ele quem chove nas noites caladas.
Não espere nada mais do que isso
Pois de mim não terás.
Senta-te quieto na escadaria do antigo
Lugar sagrado
E chovas tuas lágrimas
Em cima de coco e prata
Pois minhas chuvas não mais
Molharão teus pés.
Uma noite inesperada;
Uma semana corrida;
Uma coruja molhada;
Um pedido sem saída.
Um ano, dez meses e uma vida.
Separados por tantos,
Unidos por poucos.
Continue andando, meu amigo,
Que a vida é pouca
E o amor é muito.
Não posso lhe dar minha mão
Se você não quiser minha vida,
Pois junto com tudo
Vem antes
Meu coração.
Deixei meu Parnasiano em seu retiro.
Trouxe ou, até mesmo, veio comigo
O mais ultra dos meus Românticos.
E é ele que toma as rédeas aqui.
Foi o meu Romântico
Que fez chover
Quando precisávamos de água.
Foi ele quem te deu aquela coruja encharcada
E é ele quem chove nas noites caladas.
Não espere nada mais do que isso
Pois de mim não terás.
Senta-te quieto na escadaria do antigo
Lugar sagrado
E chovas tuas lágrimas
Em cima de coco e prata
Pois minhas chuvas não mais
Molharão teus pés.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Poesia (8.2)
Noite Opaca
Noite opaca.
Estou deitado à sombra de uma árvore,
Estou deitado à sombra de uma esperança,
À sobra de um querer,
À sobra de uma dúvida
De um sol que está incerto
Sobre o seu nascer.
Estou imerso nessa noite,
Imerso em mim e à sobra de uma vida que tive.
À sobra de um sol que me ofuscou por muito
Mas nunca me aqueceu.
Faz frio aqui.
O vento passa rasgando meus lábios,
Estremecendo meus dedos.
Estou cego
Deitado à sombra de um eclipse eterno.
Deitado em meio a vozes
Que me dizem tudo
Menos o que eu realmente preciso ouvir.
Mergulhado nessa água turva
Inquietantemente poluída
Eu me debato.
A água não se move.
Não há ondas nessa sombra.
Não há mais ondas em mim.
Não há sequer movimento.
Noite opaca.
Estou deitado à sombra de uma árvore,
Estou deitado à sombra de uma esperança,
À sobra de um querer,
À sobra de uma dúvida
De um sol que está incerto
Sobre o seu nascer.
Estou imerso nessa noite,
Imerso em mim e à sobra de uma vida que tive.
À sobra de um sol que me ofuscou por muito
Mas nunca me aqueceu.
Faz frio aqui.
O vento passa rasgando meus lábios,
Estremecendo meus dedos.
Estou cego
Deitado à sombra de um eclipse eterno.
Deitado em meio a vozes
Que me dizem tudo
Menos o que eu realmente preciso ouvir.
Mergulhado nessa água turva
Inquietantemente poluída
Eu me debato.
A água não se move.
Não há ondas nessa sombra.
Não há mais ondas em mim.
Não há sequer movimento.
domingo, 11 de setembro de 2011
Poesia (8.1)
Gula
Aprendi a degustar a dor
Como quem degusta um cultuado prato estrangeiro.
De garfada em garfada
Aprecio o sabor
De noites mal dormidas.
Sou servido com classe
E moderação.
Meu paladar refinado agradece
Os novos sabores
Que de gota em gota
Preenchem minha dúvida
Com a amargura anciã.
Como paulatinamente
Tudo que me é proposto à mesa.
Entrada e prato principal
Se fundem num excesso refinado
Em que eu
E eu apenas
Sacio as vontades do sofrer.
Então satisfeito
Abraço a dor
Na velha conhecida madrugada
E deito em seu ombro
Desejando ser menos de mim
E mais dela.
Desejando comer por fim
Minhas lágrimas
E aprender a digerir a dor que cerca
Meu mundo
Há mais tempo do que o tempo pode recordar.
Esse prato de sabor amargo e sofisticado
Que me forço a gostar
Que me obrigo a apreciar
Está a se perder
E posso ver o aroma doce vindo com o vento;
Mas por enquanto
Tenho pena de mim no fim de tudo
Por querer apenas
Força a reverência a essa sofisticação dolorosa.
Aprendi a degustar a dor
Como quem degusta um cultuado prato estrangeiro.
De garfada em garfada
Aprecio o sabor
De noites mal dormidas.
Sou servido com classe
E moderação.
Meu paladar refinado agradece
Os novos sabores
Que de gota em gota
Preenchem minha dúvida
Com a amargura anciã.
Como paulatinamente
Tudo que me é proposto à mesa.
Entrada e prato principal
Se fundem num excesso refinado
Em que eu
E eu apenas
Sacio as vontades do sofrer.
Então satisfeito
Abraço a dor
Na velha conhecida madrugada
E deito em seu ombro
Desejando ser menos de mim
E mais dela.
Desejando comer por fim
Minhas lágrimas
E aprender a digerir a dor que cerca
Meu mundo
Há mais tempo do que o tempo pode recordar.
Esse prato de sabor amargo e sofisticado
Que me forço a gostar
Que me obrigo a apreciar
Está a se perder
E posso ver o aroma doce vindo com o vento;
Mas por enquanto
Tenho pena de mim no fim de tudo
Por querer apenas
Força a reverência a essa sofisticação dolorosa.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Poesia (8.0)
Rosa Aos Ventos
Ando demasiado preocupado
Com o que ando carregando comigo.
Que conteúdo é esse
Que me tem por inteiro
E que não me deixa ser?
Paro por segundos
Calados.
Penso no que meu cérebro sequer
Consegue formular em palavras pensadas.
Do que carrego
O que é meu?
O que é de mim?
O que é verdade?
O que está precisando ser podado?
Até que ponto eu posso podar o que carrego
Sem me cortar no caminho,
Sem destruir o que eu sou?
Como matar o veneno sem esfacelar a rosa
E deixá-la ir com o vento?
Então quando
Conseguirei eu procurar nos ares
Minhas pétalas?
Minhas pélatas por fim minhas
E por fim puras?
E onde colocarei tanta pureza?
E o que fazer com o temor,
Hesito e penso numa vontade de deixar-me
Ao vento?
Seria mais fácil perder-me de vez?
Ando demasiado preocupado
Com o que ando carregando comigo.
Que conteúdo é esse
Que me tem por inteiro
E que não me deixa ser?
Paro por segundos
Calados.
Penso no que meu cérebro sequer
Consegue formular em palavras pensadas.
Do que carrego
O que é meu?
O que é de mim?
O que é verdade?
O que está precisando ser podado?
Até que ponto eu posso podar o que carrego
Sem me cortar no caminho,
Sem destruir o que eu sou?
Como matar o veneno sem esfacelar a rosa
E deixá-la ir com o vento?
Então quando
Conseguirei eu procurar nos ares
Minhas pétalas?
Minhas pélatas por fim minhas
E por fim puras?
E onde colocarei tanta pureza?
E o que fazer com o temor,
Hesito e penso numa vontade de deixar-me
Ao vento?
Seria mais fácil perder-me de vez?
Poesia (7.9)
O Ridículo Pensamento
O ridículo pensamento;
Aquela tentativa turva
E saqueada de tentar explicar,
De tentar racionalizar
O que sinto.
O que não minto no meu íntimo.
E aquela posterior mudança de pensamento:
Por onde anda aquele amor todo?
Perdido titubeando por ruelas de luzes amareladas.
Zombando de mendigos.
Terminando garrafas de aguardente em minutos.
Montando em muros,
E os cavalgando
Como quem os rodeia,
Como quem os domina.
Até quando essa esperança vai ficar
Atrelada a minha mão
Tão fortemente
Que a dor dela me cega?
Esperança que não me deixa ver dois palmos
À frente do meu nariz torto,
Torturado.
Esperança que mostra uma menina pequena
De olhos puxados
Segurando minha perna
É a mesma esperança
Que mostra meus olhos sangrando.
Por quanto ainda esperarei
Até que entre uma viela e outra
Meu amor encontre
Minha esperança
E que se entendam sem precisar de palavras
Para explicar como as coisas devem ser?
O ridículo pensamento;
Aquela tentativa turva
E saqueada de tentar explicar,
De tentar racionalizar
O que sinto.
O que não minto no meu íntimo.
E aquela posterior mudança de pensamento:
Por onde anda aquele amor todo?
Perdido titubeando por ruelas de luzes amareladas.
Zombando de mendigos.
Terminando garrafas de aguardente em minutos.
Montando em muros,
E os cavalgando
Como quem os rodeia,
Como quem os domina.
Até quando essa esperança vai ficar
Atrelada a minha mão
Tão fortemente
Que a dor dela me cega?
Esperança que não me deixa ver dois palmos
À frente do meu nariz torto,
Torturado.
Esperança que mostra uma menina pequena
De olhos puxados
Segurando minha perna
É a mesma esperança
Que mostra meus olhos sangrando.
Por quanto ainda esperarei
Até que entre uma viela e outra
Meu amor encontre
Minha esperança
E que se entendam sem precisar de palavras
Para explicar como as coisas devem ser?
sábado, 30 de julho de 2011
Poesia (7.8)
Duzentos e Sete Ventos
Talvez o erro tenha sido meu.
De ter gritado minha dor aos duzentos e sete ventos
E ter quisto que ela fosse abraçada
Por todos que estavam ali.
E agora eu tenho certeza que a culpa
Foi de fato minha.
Por ter extasiado do meu corpo
Toda essa dor
Que tantos abraçaram.
Mas o que fazer com essa felicidade?
Os ventos que ouviram minha dor
Deram as costas
Para qualquer sentimento
Que pudesse sair de mim.
E agora pensam que só há dor em mim...
Mas não...
Há em mim um leito de felicidade
E uma felicidade latente
Sobre um futuro
Que por mais incerto; meu.
Desejo que os ventos ouçam meu grito de euforia
E saibam que a dor se foi;
Há de voltar;
Mas não mais gritada.
Talvez o erro tenha sido meu.
De ter gritado minha dor aos duzentos e sete ventos
E ter quisto que ela fosse abraçada
Por todos que estavam ali.
E agora eu tenho certeza que a culpa
Foi de fato minha.
Por ter extasiado do meu corpo
Toda essa dor
Que tantos abraçaram.
Mas o que fazer com essa felicidade?
Os ventos que ouviram minha dor
Deram as costas
Para qualquer sentimento
Que pudesse sair de mim.
E agora pensam que só há dor em mim...
Mas não...
Há em mim um leito de felicidade
E uma felicidade latente
Sobre um futuro
Que por mais incerto; meu.
Desejo que os ventos ouçam meu grito de euforia
E saibam que a dor se foi;
Há de voltar;
Mas não mais gritada.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Poesia (7.7)
Bússola
Perdemos o caminho
Nessa estrada destruída pelo Tempo
E por um tempo cruel.
Estrada degradada por chuvas
E sóis.
Perdemos nosso caminho
No meio de tanta floresta
Em que a fauna
Era vista a apodrecer
Enquanto corríamos
Sem a menor noção
De que destino havíamos tomado.
Nos perdemos nesse caminho
Que em dias de frio
Era lindo e branco,
Mas em dias de calor
Só víamos a paisagem vermelha coberta de orvalho,
Coberta de lágrimas do Dia.
Nos perdemos no nosso próprio caminho
Em meio aos nossos abraços noturnos,
Confidências ao pé do ouvido
E lágrimas sangradas por dentro.
Nos perdemos, por fim,
De nós mesmos.
Perdemos o caminho
Nessa estrada destruída pelo Tempo
E por um tempo cruel.
Estrada degradada por chuvas
E sóis.
Perdemos nosso caminho
No meio de tanta floresta
Em que a fauna
Era vista a apodrecer
Enquanto corríamos
Sem a menor noção
De que destino havíamos tomado.
Nos perdemos nesse caminho
Que em dias de frio
Era lindo e branco,
Mas em dias de calor
Só víamos a paisagem vermelha coberta de orvalho,
Coberta de lágrimas do Dia.
Nos perdemos no nosso próprio caminho
Em meio aos nossos abraços noturnos,
Confidências ao pé do ouvido
E lágrimas sangradas por dentro.
Nos perdemos, por fim,
De nós mesmos.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Poesia (7.6)
Celado
A cela está aberta
Mas eu me recuso a ir.
Optei por permanecer aqui.
Guardando meu lugar
Nesse cárcere.
Lembro-me de ter gritado,
Chorado,
Ameaçado muitos,
Para que me tirassem daqui.
Lembranças longínquas hoje
Que não mais me tocam
Com seus dedos.
Nunca me prenderam.
Pedi para ser guardado.
Mantido aqui,
Aquecido no seu amor
Precipitado.
E aqui permaneço;
Sem querer sair
Da minha prisão carinhosa.
A porta está aberta
Mas quem está fechado sou eu.
A cela está aberta
Mas eu me recuso a ir.
Optei por permanecer aqui.
Guardando meu lugar
Nesse cárcere.
Lembro-me de ter gritado,
Chorado,
Ameaçado muitos,
Para que me tirassem daqui.
Lembranças longínquas hoje
Que não mais me tocam
Com seus dedos.
Nunca me prenderam.
Pedi para ser guardado.
Mantido aqui,
Aquecido no seu amor
Precipitado.
E aqui permaneço;
Sem querer sair
Da minha prisão carinhosa.
A porta está aberta
Mas quem está fechado sou eu.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Poesia (7.5)
O Balanço Vermelho
Este eterno estado inerte
Está sempre
Puxando o melhor de mim;
Para um lado
E para o outro.
Como um balanço débil
De uma criança cega.
Perdido em meio ao verde
Em meio ao vermelho.
Perdido dentro do vermelho.
Vermelho sem saída.
Vermelho roxo;
Troncho.
Envergado como minha coluna exausta.
Quebrado como meus dedos calejados.
Vermelho cruel.
Vermelho da paixão,
Do ódio,
Do amor,
Da dor.
Vermelho.
Vermelho que não me deixa
Ver melhor.
A eterna dúvida
De um amor vendido,
Trocado.
Onde estarão meus feijões mágicos?
Aonde iriam me levar?
Não sei onde estou
Então não importa que caminho seguirei
Já que tenho dentro de mim
Todas as dúvidas do mundo.
Queria ter de volta
Todos os sonhos.
Mas eles se perderam.
Então continuo seguindo esse vermelho.
Nesse balanço sem fim
De inércia sofrida.
Esperando o dia de parar e descer.
Esperando por fim
Não cair.
Este eterno estado inerte
Está sempre
Puxando o melhor de mim;
Para um lado
E para o outro.
Como um balanço débil
De uma criança cega.
Perdido em meio ao verde
Em meio ao vermelho.
Perdido dentro do vermelho.
Vermelho sem saída.
Vermelho roxo;
Troncho.
Envergado como minha coluna exausta.
Quebrado como meus dedos calejados.
Vermelho cruel.
Vermelho da paixão,
Do ódio,
Do amor,
Da dor.
Vermelho.
Vermelho que não me deixa
Ver melhor.
A eterna dúvida
De um amor vendido,
Trocado.
Onde estarão meus feijões mágicos?
Aonde iriam me levar?
Não sei onde estou
Então não importa que caminho seguirei
Já que tenho dentro de mim
Todas as dúvidas do mundo.
Queria ter de volta
Todos os sonhos.
Mas eles se perderam.
Então continuo seguindo esse vermelho.
Nesse balanço sem fim
De inércia sofrida.
Esperando o dia de parar e descer.
Esperando por fim
Não cair.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Poesia (7.4)
Lágrimas Sonoras
Esse choro quieto;
Calminho, calminho.
Covarde, sem força.
Morto.
Já velado.
Choro no canto.
Choro baixinho, baixinho.
Não quero incomodar.
Não quero me explicar.
Não quero arranjar desculpas para tal.
Quero apenas despejar ao mundo
Pedaços de prata que anunciam meus sentimentos.
Choro rubro.
Choro pequeno.
Tímido,
Sem intensões de chamar atenção.
Choro de intensão única,
Aquela intensão que só cabe a mim.
Que responde às minhas perguntas.
Choro que ninguém pode consolar.
Porque ninguém ouve.
Esse choro quieto;
Calminho, calminho.
Covarde, sem força.
Morto.
Já velado.
Choro no canto.
Choro baixinho, baixinho.
Não quero incomodar.
Não quero me explicar.
Não quero arranjar desculpas para tal.
Quero apenas despejar ao mundo
Pedaços de prata que anunciam meus sentimentos.
Choro rubro.
Choro pequeno.
Tímido,
Sem intensões de chamar atenção.
Choro de intensão única,
Aquela intensão que só cabe a mim.
Que responde às minhas perguntas.
Choro que ninguém pode consolar.
Porque ninguém ouve.
domingo, 3 de julho de 2011
Poesia (7.3)
Cacos e Sangue
Eu tentei demais.
Apliquei esforço,
Suor,
Choro,
Paciência.
Mas no fim não consegui.
Eu tentei proteger você
Como ninguém antes havia tentado.
Envolvi você nas minhas asas de vidro.
Mas você não via
Que o que envolvia você era o meu carinho e cuidado.
E você quebrou isso;
De murro em murro
Minhas asas partiram
E com o vidro no chão
Veio o sangue.
Sangue meu.
Um tardio sangue seu.
Se você soubesse
Que eu estava só tentando te proteger
Talvez você não tivesse esmurrado tanto,
Gritado tanto
E feito pouco de mim,
O único que ainda tentava resguardar-te
De um mundo que era conhecido por cruel.
Agora eu tenho que partir
E sinto um certo pesar por deixar você
Desprotegido.
Mas foi uma escolha sua
Estar lá fora.
Espero que você tenha feito a escolha certa
Já que não há mais possibilidade
De colar cacos e sangue.
Eu tentei demais.
Apliquei esforço,
Suor,
Choro,
Paciência.
Mas no fim não consegui.
Eu tentei proteger você
Como ninguém antes havia tentado.
Envolvi você nas minhas asas de vidro.
Mas você não via
Que o que envolvia você era o meu carinho e cuidado.
E você quebrou isso;
De murro em murro
Minhas asas partiram
E com o vidro no chão
Veio o sangue.
Sangue meu.
Um tardio sangue seu.
Se você soubesse
Que eu estava só tentando te proteger
Talvez você não tivesse esmurrado tanto,
Gritado tanto
E feito pouco de mim,
O único que ainda tentava resguardar-te
De um mundo que era conhecido por cruel.
Agora eu tenho que partir
E sinto um certo pesar por deixar você
Desprotegido.
Mas foi uma escolha sua
Estar lá fora.
Espero que você tenha feito a escolha certa
Já que não há mais possibilidade
De colar cacos e sangue.
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