quinta-feira, 5 de julho de 2012

Poesia (11.8)


Os Beijos

Os beijos estão misturados
Em estado de refrigeração
Estão ainda mais cansados
Os beijos em comunhão.

Mas não se perdem por nada
Esses beijos estão guardados
Trancafiados com faca
Esses beijos estatelados.

Deixados foram os beijos de lado
Deixados para trás sem pena
Pobres são aqueles beijos molhados
Que vinham da sua boca pequena.

De longe deságuam no mar
Os beijos de outrora
De longe eu passei a amar
Os beijos que vinham na Aurora.

E hoje falo sem espumar
Do que os beijos um dia trouxeram
Já que foi dos prazeres do amar
Que os melhores beijos vieram.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Poesia (11.7)


À Minha Menina

Essa balsa bamba
Sem medo balança.
Sem nada
Descansa.
Pequena,
Descansa.

Se foi o mar,
Criança,
Se foi o amor.

Então dança!

Deixa escapar
Teu medo,
Deixa limpar
Teus dedos.
Deixa ficar
Tu mesma.

Triste foi embora.
Triste se fez a hora.
Então por que triste
Oras?

Larga disso,
Pequena;
Larga daquilo,
Menina.
Só não se larga
Por aí;
E nunca mais
Se larga de ti.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Poesia (11.6)



A pele.
O novo.
Os cheiros.
De novo.

Meus seios.
Teu braço.
Nossas pernas .
Em laço.

Minhas flores.
Teus galhos.
Nossa floresta.
Nosso atalho.

Meus dedos.
Teu corpo.
Teu toque.
Meu rosto.

Teu sorriso,
Meu moço,
Teus cabelos,
Meu moço.

E sem medo
Eu caio.
De seus braços
Não saio.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Poesia (11.5)


Caminhada

Momentos seguem
Se desenrolando
Numa flácida estagnação
De uma vida
Que já acabou.

Fazendo de mim
Mais um caminhante
Na terra fria
De museus
Que abrilhantam obras
Que pintei só.

As molduras nunca estiveram
Tão roídas,
Mas ainda assim,
A despeito de todo
O estrago que fizeram
Esses vândalos,
Os quadros não se movem.

Meus passos
Parecem ser dados
Para trás.
Volto
Ébrio
Àquelas telas
Que pintei à sangue
Os rubros
E à lágrimas
Os verdes.

Telas essas que quero destruir
E deixar para trás
Junto com essa vida
Abandonada
Que deixaram pra trás.

Falto eu sair daqui.

E às vezes
É preciso dar um passo para trás
Para poder enfim
Correr.

domingo, 24 de junho de 2012

Poesia (11.4)


Do(r)mingo

O seu domingo chega
E com ele
A dor.
Sua dor.
Solidão.
E saudade.
De você mesmo.

O seu domingo chega
E com ele
O egoismo.
O seu egoísmo nato
De me querer
Como um objeto.

Espero eu fazer diferente
Nesse domingo.
E nos próximos.
Até que meu sol se ponha.
E não mais
Estar com você
Por pena
Ou vontade de voltar
Àquilo que um dia
Eu pude conjulgar no plural.

Que os domingos seus
Sejam de outro agora.
E que você rasgue
O que sobrara de mim
Em toda bruma
Que passara pelo seu mar.
Em todo ocaso
Que fora visto
Do seu horizonte.
Em todo amor
Que hoje
Chamo de dor.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Poesia (11.3)

O Pior dos Desejos

Desejo a você o pior
De todos os males.
Aquele que o fará cego
A todos os outros.
Surdo a todas as vozes.

Desejo a você
A mais forte
Das dores.
Aquela que rasga o peito
E derrama sangue
Por suas veias.

Desejo a você
A maior das quedas.
Queda essa
Da qual não se levanta
Com facilidade.

Desejo a você
O pior de tudo.
Pior esse que o fará
Ébrio de dor.

Desejo a você
O mais forte e puro
Amor.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Texto (0.1)


Amar Como Eu Amo

Amar como eu amo hoje é mais do que nunca aceitar o passado. É saber que tudo que aconteceu de bom não volta; ainda bem. Cada lágrima derramada por esse passado guarda em si a esperança de um futuro. E saber que o futuro guarda tanta coisa nova e boa, não tinha como não me fazer chorar.

Amar como eu amo é cada vez mais saber que o meu amor é meu. E o que tiver de sobras e excessos são dos outros. Não resto. Resto é o que não nos serve mais e queremos passar adiante quase que como lixo. Mas o que tiver de excesso de amor, e eu sei que tem muito, não pouparei em gastar com quem merece.

Amar como eu amo é ter a certeza de que todo dia eu posso me deparar com uma vida nova ao atravessar a rua, ao dobrar a esquina para ir pro trabalho. É ter a esperança de que tudo terá seu tempo de acontecer, e que, por mais que doa, nem tudo será felicidade e alegria.

Amar como eu amo é simplesmente amar. Tendo no horizonte o foco e a sabedoria que as estações mudam, e por mais frio que esteja fazendo nesses dias chuvosos e cinzas, as manhãs seguintes virão bronzeadas de alegria.

Amar como eu amo é aprender a aceitar o que vem de bom, e se revoltar com as coisas ruins, e sempre, sempre, sempre, querer mudar. Amar desse jeito é o oposto da estagnação. É a reciprocidade pura. É ter o conhecimento do outro. E nesse conhecimento, ter a sensatez de julgamento para toda e qualquer ação.

Amar como eu amo é saber que meu coração está aqui, em mim, mas que tem um pedacinho dele em cada pessoa que já sentiu meu amor alguma vez. É ter a certeza da melhora, e ver o prazer agridoce na dúvida do amanhã.

Ainda bem que eu amo assim e nunca hei de me arrepender disso.

sábado, 16 de junho de 2012

Poesia (11.2)


O Novo

Aquele rapaz
Deve ser feito
De sinestesia.

Meus olhos viam o gosto
Da sua pele morena.
Eu ouvia os cheiros
Como se eles falassem comigo.
Mordia sua boca e escutava
Seus dentes sugarem o ar.

Seu perfume na minha pele
Deixando um rastro
Pela minha cama
Toda.

Meus olhos
Como o Novo disse
“Irresistíveis”.
Não sei se o são
Mas naquele momento
Eles o eram.
E nós fomos.

O Novo veio,
Enfim,
Deitar em meus braços
E ver estrelas.
E pela primeira vez
Elas brilharam
À luz do sol.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Poesia (11.1)


De Uva

Esse exagero.
Meu.
Sempre meu.
Extremo.
Extremo ou nada.
Sendo o nada
Também um extremo.

Essa previsibilidade.
De cada objeto.
De cada gesto.
De cada pessoa.
De cada sentimento.

Esse eterno saber
Desse eterno marasmo.
E o tédio.
Ah, o tédio.
Pessoas tediosas.
Palavras tão tediosas
Quantos suas bocas.
Abraços tão soltos
Quanto meu cadarço mal amarrado.

E o nostálgico
Sou eu.
Pelo sentir.
Pelo sentir falta.
Pelo sentir falta
De surpresas.
Surpresas quaisquer.
As boas preferencialmente.

Balanço demente
E inerte
Vagando só.

E o nostálgico
Sou eu.
Pelo sentir.
Pelo sentir algo.
Pelo sentir sempre.
Pelo sentir sempre
Essa ausência
De surpresas.

No marasmo
Andando vago.
Esperando algo.
Esperando de pé.
Sentado.
Deitado.
Esperando o esperado.
O óbvio.

Nada mais
Chega a mim
Como surpresa.

E ainda ouço por aí
Da minha nostalgia.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Poesia (11.0)


Conta Gotas

Gota a gota
Eu deságuo
Na cerâmica.

Gota a gota
Eu seco
Meu vinho.

Gota a gota
Eu me perco
No chão.

domingo, 10 de junho de 2012

Poesia (10.9)


O Dia

Meu coração em farelos
Tão finos e pequenos
Que não posso mais
Tentar recolher
As partes grandes
E colá-lo.

Meu coração é meu.
E não quero ajuda de ninguém
Para respirar melhor.

Minto.
Quero sim.
Quero minha ajuda.
Quero minha força.

Quero distâncias.
Plurais distâncias.
Quero colocar junto
O que deve ficar.
E aprender com as quedas;
Já que foram muitas.

Só preciso de mim
E me bastando
Fico bem.
Desejo apenas
Não esperar
Toda a noite
Pelo mesmo bem.

Porque quando a lua vem
Minhas marés ficam
Agitadas.

Mas o dia sempre amanhece...

sábado, 2 de junho de 2012

Poesia (10.8)


A Queda

E eu caio.
Como se nunca tivesse caído antes
E o chão fosse novo para mim.
Arranho os joelhos
E sangro
Como se nunca tivesse
Sarado.
Aperto o barro do chão
Que se esfarela
Entre meus dedos.

Mordo a boca com força
Pensando e pensando
Se minhas quedas
Serão frequentes.

Choro.
Desespero bom esse
Que vem e vai
Mas quando vem
Parece nunca querer sair.

E de tombos em tombos
Eu venho andando
Desde que o contrato
Fora cancelado.
Queria eu
Nunca tê-lo assinado.

E essas quedas só me ensinaram
Uma coisa:
Que cair
É o primeiro passo para se levantar de vez.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Poesia (10.7)


Pronto.

Não me mande mensagem
Achando que eu vou fazer
O mesmo.
Não posso voltar a esse circuito
De sofrimento.
Não abra a boca para dizer
Que me ama
E que está confuso.
Você parece muito certo
Do que está fazendo.
Talvez mais certo do que eu.
Você não está mais comigo
Está com outro.

E seus sorrisos ébrios me disseram muito
Já.
Mais do que eu queria ouvir.
Então não venha
Achando que você pode
Simplesmente estalar os dedos,
Como antes,
E você vai me ter de volta,
Porque não vai.
E se você escolheu isso
Desde muito tempo atrás
Arque com as consequências
Disso tudo.
Se responsabilize pelos seus atos
Pelo menos.

Pois você não está
Pronto.
Nunca estivemos,
Mas enfim,
Você continua assim.

Eu estou pronto
Para sair disso.
Pronto para mim.
Então não finja
Que ainda se importa.
Por favor.

Você já passou da idade
Desse tipo de joguinho
Imaturo.
Esteja também
Você pronto
Para o mundo.
Pois foi o que você escolheu.
O mundo
À mim.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Poesia (10.6)


Pergunta Número 23

Peço perdão
Por toda a raiva que já explodi
Em você.
Pelos gritos sem razão
E pela falta de sensibilidade.
Nunca quis desejar sua morte
E nem o seu mal;
De maneira alguma.
Quero o melhor para você,
Quero também
O melhor para mim.

Por mais duro que seja
Eu desejo sim
A sua felicidade
E prometo
Não interferir na mesma.
Foi tanto carinho e cuidado
Que não consigo parar
De desejar o melhor
Para você.

Quero ver seus filmes
E aplaudí-los.
Quero ver um sorriso sóbrio
Em seu rosto.

Não tenho raiva,
Muito menos ódio.
Quando lembro da dores
Queria poder
Tê-las evitado.

O que nos aconteceu
Foi lindo;
Vai ficar no passado.
As cicatrizes minhas,
E suas também,
Vão sumir com o tempo;
Amigo Tempo.

Desejo a você
Por mais que me doa um bocadinho
A felicidade.
Desejo que você se encontre
Em você;
Antes de se encontrar em
Quem quer que seja.
E que se ame
Antes de tentar amar alguém.

Minha resposta
À pergunta número 23
É que minha raiva
Não é de você,
Ela é minha;
Por eu ter deixado
Tudo isso acontecer.
Mas eu não quero seu mal.
Quero que você queira ficar bem
Como eu estou querendo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Poesia (10.5)


Ao Mar

A única maneira,
E talvez a melhor,
Que encontrara para ser feliz
Fora sem você.

Meu coração
Está precisando de mim.
Do meu amor.

Ando descalço na areia branca.
Você molha meus pés,
Vez por outra,
Com suas ondas salgadas.

Não posso mergulhar em você
De novo.
Nem pode você
Molhar a mim por inteiro.
E não se nada no amor
Com água cobrindo só os pés.

Vou me distanciando
Da sua praia suja
E procuro respirar
A cada passo.
Quero respirar as árvores
Não mais o mar.
Quero respirar meu próprio ar.

Poesia (10.4)


Costa

Deitado de bruços
Na água salgada;
À deriva.
De olhos abertos.
Assustados,
Salgados.

Velejo solto;
Com meu olhos esbugalhados,
Riscados pelo sal e areia.
Mas velejo livre.

Vejo ilhas,
Pessoas
Todos submersos.

Vejo o mar,
Assistindo eu ir
Enquanto esse mesmo
Me carrega para longe.

Vejo o amor chegando;
Novo.

Meu corpo para
Ao ser jogado contra as pedras.
Saio da água
Com meus olhos maduros
Não mais verdes.

Saio da água de uma vez.
Abraço a areia,
Já que na mesma
Eu vou ficar;
Fincar meus pés
Enquanto caminho
Para longe.

Ainda bem que havia
Areia para me afagar.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Poesia (10.3)


Esquina

Cheguei até a sua esquina
Hoje a noite.
Olhei sua morada de longe;
Imaginei o frescor lá dentro.
O cheiro da sua casa
Misturado ao seu;
O gosto amadeirado das águas.
O gosto do amor.

Liguei pra você.
Ouvi a voz que queria tanto.
Voz essa surpresa quando eu disse:
Estou na esquina.
Na minha?!
Sua voz perguntara.
Menti;
Disse que estava na minha.
Chegando em casa.

Sangrei.
Meu olhos partidos choraram um amor fino
E brilhante.
Meus olhos choraram verde.

Disse aquele tchau
Como quem queria dizer oi.
Dei meia volta;
Entrei num táxi de um desconhecido pai qualquer.
E vim pra casa.
Pra minha casa...

Casa essa em que eu espero
Espero todo dia
Encontrar você à porta.
Quando chego
Na esquina da minha rua
Sempre procuro você
Embaixo daquela árvore.
Procuro você,
Procuro a mim.

Espero uma surpresa.
Surpresa essa que eu não sei
Como reagiria.
Espero tudo de novo.
Todo dia.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Poesia (10.2)


A Mim

Nossa felicidade poderia ter sido
Nossa.
Minha e sua.
E poderia ter durado,
Ficado conosco mais alguns anos.
Mas escolhas foram feitas.
E pessoas foram entrando
Na nossa casa.
E quem abrira a porta fora você.

Você não está completo
É o que vejo.
Está torcendo pela minha felicidade.
Você é só mais um
Que o faz;
Que torce por mim.

Entre tantos abraços que recebo
De força,
De coragem,
De amor mesmo;
Falta o seu.
Que nunca mais será meu.

A sua presença na minha vida
Se tornara um vulto
Na multidão.
Aquele rosto que eu sempre procuro
Mas nunca quero encontrar de fato.
Aquele medo e saudade.
Nem meus sonhos têm me ajudado.
E nem quando estávamos juntos
Eles eram tão frenquentes.

Lembro de você calçando sua meia;
Limpo meu pé hoje
Como você o fazia.
Lembro das noites em claro que passei
Ajudando você
Com seus trabalhos.
Lembro das noites em claro que passei
Fazendo os meus, sozinho.
Lembro de tanta coisa;
E essas coisas me lembram você.
Que por sua vez, é o que eu mais queria esquecer.

Continuo andando.
Meio sóbrio
Meio ébrio.
Durante esse tempo em que não nos vemos.
Durante essas poucas semanas
Em que não tenho escutado sua voz.
A vida está mais fácil.
Não, não está.
Mas a clareza
De que não há mais volta,
De que não há como refazer tudo,
E não há sequer vontade de mudança
Ou tentativa da sua parte,
Me grita aos ouvidos que eu tenho que ser feliz.

E eu estou sendo.
E eu vou continuar sendo.
Mesmo que eu ainda espere uma ligação sua;
Uma mensagem sequer,
Ou até um e-mail dizendo o que eu quero tanto ouvir;
E que talvez ainda haja algo a ser feito por nós
E que as coisas possam ficar bem, quem sabe.
Mesmo que a esperança em mim não tenha morrido.
Mesmo que uma lágrima ou outra ainda caia
De vez em quando.
Eu vou ser feliz.
Mesmo que eu saiba
Que a minha vida mudara.
Eu vou ser feliz.
Eu me devo isso.
Eu me devo a felicidade. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Poesia (10.1)


Ao Meu Amor

Desconhecidos seguem suas vidas.
Andam para o trabalho;
Almoçam;
Estudam talvez.
Vivem suas vidas
Sem saber 
De mim.

Um desses desconhecidos
Será aquele que um dia
Eu vou chamar de meu;
Que vai,
Deitado no meu braço,
Ver estrelas;
Descansando.
Sentindo meu cheiro
E sonhando com um futuro.

Em nosso desconhecimento
Nós nos conhecemos
E nos amamos sem saber
Que somos nós;
Que seremos nós um dia.

sábado, 12 de maio de 2012

Poesia (10.0)


Mais Do Que Eu Poderia Aguentar

Quantos sorrisos ébrios
Eu já não contei no seu rosto?
As marcas do abuso;
No seu pescoço.
As mensagens que eram minhas;
Com outros
E outros.

Fotos nossas.
Momentos meus
Guardados em mim.
Como quem guarda uma boneca de porcelana
Que nos dias de hoje
Não vale mais de nada.

Lembranças
Que eu derramo sobre o travesseiro
Toda noite.
Lembranças que se derramam em mim
Todo dia.
Memórias de uma vida passada.
Para trás.

Quantas poesias
Escritas em sangue
Foram derramadas a ti?
Quantos gritos murchos
Secaram na minha garganta?
Quantas pedidos de desculpas
Jogados ao vento
Para que você se sentisse mais confortável
Nos meus braços?

Letras de músicas.
Uma.
Mensagens.
Poucas.
Preocupações.
Quando críticas.
Amores.
O meu.
Amor.
No singular.
Pois era um só.
O meu.

Poesia (9.9)


É Preciso Que Duas Bocas Se Encontrem Para Que Haja O Beijo – Parte II

Queria entender.
Conseguir racionalizar.
Colocar em palavras, no mínimo.
O efeito daquele beijo.
Daqueles beijos.
Foram dois deles.
Pequenos.
Rápidos.
Suaves.
Momentos em que a minha boca
E a dele
Se tornaram uma.

Momentos macios que não partiram de mim
Mas dele.
Momentos que eu temo não mais viver.
Já que o dono daquele beijo
Nunca será meu.

Então arde em mim, daquele forma de arder
Que minha pele sangra e minha derme murcha,
A chama da esperança.
De que um dia
Aquele beijo
Volte a ser meu.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Poesia (9.8)


É Preciso Que Duas Bocas Se Encontrem Para Que Haja O Beijo

Ele não é meu.
Talvez nunca o seja.
E muito menos já o fora.
Aquele beijo ébrio
Trocado em meio a palavras
Balbulciantes
Não significara nada.
Para ele.

Ele nunca há de saber.
O que aquele beijo
Significu para mim,
Ficou comigo.
Trancafiado à força,
Jogado no fundo de um baú sujo
Que trancado guarda todos os beijos
Que nunca foram dados,
E até aqueles que não deveriam ser dados,
E principalmente aqueles que não deveriam ter sido dados.

Esse beijo,
Como tantos outros,
Eu vou guardar comigo
Já que o dono daqueles lábios
Nunca será meu.
Mas esse beijo
Eu vou guardar;
Comigo.

domingo, 29 de abril de 2012

Poesia (9.7)


Clube dos Idiotas

Só cabe à minha poesia
Os meus sentimentos.
Só nela cabem tais palpitações
Do meu coração enegrecido.
É a partir dela
Que o meu sono chega.
É com ela que eu sou aquele que deveria ser.
Apenas a ela devo as mais obscuras satisfações.

Deveria eu, por minha vez,
Fundar logo
Um clube para idiotas.
Um clube composto somente por idiotas.
Idiotas de alto nível?
Não.
Idiotas idiotas.
Daqueles que choram,
Berram.
Idiotas que correm atrás.
Que querem e acham que podem
Resolver os seus e os problemas dos outros.

Nesse clube colocaríamos em pauta
Nossas intimidades,
Nossos propósitos,
Nossas idiotices conjuntas.
E seria em nosso clube
Que leríamos nossas bulas de rémedio
Para o coração.
Cada um com seu devido problema.
Cantariamos as mais bregas
(E por que não idiotas?)
Canções de amor.
Encenaríamos os mais belos Romeus
Encantados idiotamente
Pelas mais idotas Julietas.
Jogaríamos o nosso pôquer
Apostando quantias ínfimas,
Dinheiro sujo conseguido com um trabalho idiota
Onde somos obrigados a assinar um livro de ponto
Tão idota quanto o nosso próprio trabalho.

Seria então nesse mesmo clube
Que chorariamos juntos
Lendo em tom de epitáfio
Nossas poesia derradeira.

Nesse clube de idiotas
Seríamos todos Poetas.

sábado, 28 de abril de 2012

Poesia (9.6)


Desato

Espero que você tenha achado
O que tanto buscava.
Espero que tenha encontrado tudo
O que tanto procurava.
O que nunca fora achado em mim.
O que nunca pertencera a mim.

Espero que esteja feliz.
Espero que esteja muito feliz.
Com tudo que você tem agora.
Com toda a liberdade.
Com toda a falta de responsabilidade.

Espero que as festas estejam melhores agora.
Espero que os beijos sejam mais doces.
E os sexos mais ardentes.

E que seus sorrisos ébrios mantenham-se
Por muito, muito, muito tempo, meu caro.
Espero que todo esse mundo
Se propague para toda a sua vida
E que as pessoas possam ver quem você realmente é, por fim.

E espero nunca mais dividir com você
As lágrimas,
As vozes,
Os beijos,
A cama,
O amor.

O amor que era só meu.
Que continua sendo.
Que nunca fora seu.
E que nunca será.

Espero que tenha encontrado
De verdade
Tudo aquilo que eu nunca pude lhe proporcionar.

E espero não ouvir sua voz nunca mais.
Eu quero que a eternidade se realize nesse nunca
E que eu possa agora desprezar tudo que você é.

sábado, 14 de abril de 2012

Poesia (9.5)

Ensaio

Saia.
Tire o que for seu do camarim.
O show acabou.
Eu não consigo me mover.
Então saia.
Não deixe nada bagunçado,
Deixe tudo como você encontrou.
Novo, limpo e arrumado.

Bata a porta quando passar,
E não considere voltar por algum tempo.
Há novas peças em cartaz.
Temos um público exigente.
Corra para outro teatro.
Algum mais distante.
Ou faça uma turnê,
Quem sabe as coisas não melhoram?

Leve seu cenário,
Seus adereços,
Tudo.
Não precisamos de lembranças
De um espetáculo fracassado.

Devolva as chaves.
Quero tudo que for meu.
Não tens motivos pra ter mais nada.

E um conselho:
Ensaie mais.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Poesia (9.4)

Fantasma

O seu sorriso ébrio à meia sombra
Fazendo do resto de mim de resto.
Forçando o meu ódio.
A sua banalização desse corpo
Que era meu...
Que nunca fora meu.

O rasgo deixado no meu peito
Invisível.
Ando aos retalhos
Cobrindo buracos com gargalhadas de outros.

O seu olhar que eu tanto desprezo.
Como se eu nunca tivesse existido
E eu era tanto...
Mas eu sei que nunca fui nada.
Que era fui só mais um.
E hoje quem não passa de nenhum é você.

Eu fechei a porta daquela casa há muito.
E ordenei que a mesma fosse derrubada.
Mas você não estava lá para ver os escombros
E eu estou varrendo pedaço por pedaço
Do que um dia foi nosso...
Não.
Do que um dia foi meu.

Morei só durante vinte e nove longos meses
Nos quais fui feliz sozinho
E agora, desarrumo tudo sozinho também.
Como se você nunca tivesse existido...
E você nunca existiu.
E você nunca vai existir.

sábado, 7 de abril de 2012

Poesia (9.3)

Ciclos

O vazio.
A perda.
Eternos.
A falta.
A saudade.
O mundo aqui dentro.
Temeroso.

A cólera.
Os olhos.
Vermelhos.
As lágrimas.
Igualmente vermelhas.
Os tremores.
A mobília.
Destruída.

O sono.
O cansaço.
De tudo.

O equilíbrio.
A sensatez.
O ponto.
A chave.
O brilho.
À vida.
Nova.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Poesia (9.2)

E você me tem

E você me tem
Por completo.
Todo.
Tudo.
E não temo,
Nada,
De forma alguma.

Porque o que é mais importante
Em mim
É você.
A melhor parte do que eu sou
É sua.
E eu sou muito bom por ter você
Dentro de mim;
Comigo.

E é esse amor;
Sempre esse amor;
Todo dia esse amor;
Todo dia você,
Queme faz querer,
Que me faz querer querer;
Viver.

Colho os mais doces frutos
Todos os dias.
Os frutos do nosso amor.

Queria você ontem,
Sei que vou querer você amanhã.
Mas o querer você de agora que me faz querer,
Querer viver.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Poesia (9.1)

Neve de Verão


As imagens se distorcem
Com o passar dos dias frios.
É um verão gélido.
Com poucos dias de sol,
Com muita chuva,
Com neve...
Nada do que podia se esperar
Se tornara realidade.
A primavera havia sido tão boa
Com suas flores majestosas.
Tudo da primavera agora ficara pra trás.
Não há mais aquele calorzinho
Que esquenta os ossos.
Tudo que restara é o verão e o seu frio,
Suas chuvas torrencias
E sua espantadoramente nova
Neve.

Minha visão turva
Só vê o reflexo de uma primavera
Aqui e acolá.
Nada muito estável.

Indago o que teve essa primavera de tão especial.
Acho que a saudades reinou;
O amor mesmo.
Mas um amor diferente.
Como se fosse o começo de tudo
Não o meio
Ou até mesmo o fim.
Um amor de início
Quente, de verão.
Não desse verão.
De verões passados.
Verões mortos;
Saudosos.

E a neve é a pior parte...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Poesia (9.0)

Há de Haver

Há dias em que não há dias.
Não há cor,
Não há fome,
Não há vontade,
Não há você.

Há dias em que eu não hei,
Que por não haver você
Não hei eu de querer viver.

Sinto as faltas.
Falta você, falto eu,
Faltamos nós.
Esse ridículo verbo que me força
A querer você
A querer a mim.

Esses dias sem você
São dias que não
Hei.