segunda-feira, 24 de julho de 2017

Poesia (25.9)

Neon Lights

un·eas·i·ness
noun
a feeling of anxiety or discomfort.
"I sensed the uneasiness of people around me"


To find myself by myself
In order to bark over new trees.

Few moments ago:
Was I really here?
Had I left my heart?
How could I do such thing?

Impossibilities came to my fingertips
So that I would move on
Towards me.

To misunderstand my heartbeat
Has been my biggest crime;
Not listening to my voice
Has made me repeat patterns;
Uneasiness has taken my eyebrows
But no longer I shall let
Such fierce fear
Overshadow
My neon lights.

Poesia (25.8)

Into My Eyes

Tenderness frowned upon
My chest
While in bed;
When you glazed at me
With your soul
Looking.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Poesia (25.7)

Respiro

Sempre fui de chamego,
Carinho,
Cafuné,
Coração.
Nada de novo sobre mim.

Apaixonado,
Ia-me embora
Seguindo o circo,
Levantando fogueira
Por onde passasse,
Um pedaço do amor se virava em três tempos
E pipocava como susto atrás de porta
Revelando de mim ao espelho,
Caminhava firme e vendado
Atrás das trocinhas.

Sobre mim não há novidade.

Até tu.
Até tu chegares.
Até tu chegares em mim.
Até tu chegares em minha cama.
Até tu chegares em minha cama e deitar.
Até tu chegares em minha cama e deitar em meu peito.
Até tu.

Não há novidades sobre os fogos
Que eu viria a soltar.
Nem nada inesperado
A não ser meu desespero assustado
Que tenta olhar o mar dos teus cabelos
Pela fechadura dos teus olhos.

É tudo novo na escapada com o circo
Até que finalmente
Desvenda-se a lona.

É tua respiração
Ressoando com minha
Enquanto eu tenho a experiência
Extracorpórea
De nos ver de cima.

Nariz com nariz.

Vejo dois corpos altos,
Narizes que se encostam,
Pernas dobradas que se atravessam,
Braços que se abraçam.
Sinto calor e vontade de tirar fotos
Lá de cima
Para tornar eterno na materialidade
O que não se faz possível ser
No mundo do real.
Imagino futuros envolvidos em paz
E a certeza de que respirar contigo
É sempre mais ar.

Respiro aliviado
Sentindo o meu e o teu ar
Num só.
Respiro.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Poesia (25.6)

Intransponível

Que me atravessa
As pernas
Nos filmes.
Os ouvidos
Na noite
No papo cansado
Do dia de trabalho.
O telefone esquenta
O papo que não esfria.


Quero saber do teu dia
Pra me imaginar ali contigo
Tentando deixar a saudade
Em banho-maria, João.

É simples.
É você, eu, minha cama,
Água, ar, frio ali, calor aqui,
Meus pés, teu cabelo;
Travesseiros escritos na noite.
É simples.
É teu nome.

É simples.

Você me atravessa.

Espirra na noite, tosse,
Remexe na cama,
Encontra carinho nos meus braços
Que te cobrem e te sacodem por dentro.

É simples.
É teu carinho no meu peito,
É o encaixe das mãos,
Dos beijos,
Daquele primeiro beijo
Que durou aquela sinfonia inteira
Por não querer desgrudar.
É simples demais
O meu não querer desgrudar.

Se me dizem ao longe que sou barreira
Logo balbucio que não
Que é bobagem
E escrevo na noite o ocorrido contigo:
Cê me saltou pelo meio,
Passou como água que cede pela fluidez
Não pela força,
Amolece os tijolos de mim
Sem contar com o sal das lágrimas.
Pediu licença aos meus orgãos vitais
E atravessou meu peito
Tal qual flecha de cupido errôneo
Que traça linhas Afrodites
De uma beleza selvagem como teus cabelos.

É simples;
Fui atravessado.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Poesia (25.5)

Centelha

São imagens de um fim de semana
Que querem se expor
Por não caberem nos olhos.

As pernas que insistem em se emaranhar.

Os pedaços do corpo novo
Que vão ser adjetivados ao desnecessário aqui
Por não se conter na empolgação.

Poesia pobre e honesta
Tenta-se fazer sem limar o acontecido.

Perdoáveis exageros sinceros.

As mãos de dedos longos e finos,
Delicados com contrastantes pêlos escuros.

Os olhos marrons e vivos,
Doces até quando adormecidos,
Que vibram e comunicam nos breves silêncios.

A boca, ah, a boca...
Dum sorriso contagiante,
Suaves lábios que encaixam os meus
Sem pensar no mundo que gira
Maluco
Quando quem gira
Maluco
Talvez seja eu.

O peito desnudo e liso,
Macio que se opõe ao meu,
Belo pela harmonia,
Mais ainda pelo conteúdo que comprime.
O coração que bate tão rápido
Mesmo dormindo.

O cabelo de leão
Emoldura o rosto de beleza inquestionável;
Nas ondas dos cachos me perco,
No volume dos fios me dobro,
No perfume da nuca me sinto.

As noites que foram tão raras
Quanto breves.
Os encaixes naturalmente aconchegantes
Davam-se ao som de tosses.
A banalidade recontada
Nas músicas compartilhadas.
A bobagem necessária e não inovadora.

Não falo do inédito aqui,
Falo do novo.

Lugares nunca dantes visitados.
Viajante que me tornei
Dessas tuas costas que abraçam meu nariz na madrugada.
As conchas parecem certas;
E há pérolas erradas no mar?

Faço minha poesia barata
Tão cara ao meu punho
Na tentativa de dizer o que não consigo.

Falo sobre o que não sei falar.
Minha língua não é suficiente.

É no espaço entre os beijos,
É no silêncio rido que se dá
O que eu tento explicar aqui.
É na suspensão dessa realidade
Onde trocamos olhares sorridentes
Que significava toda essa poesia gasta.
É a tentativa de presentificar
O momento que me faz escrever,
É no sacrifício das horas de sono
Que se faz o combustível dessa captura;
De tal efemeridade nebulosa
Na qual se deram as noites.

E a imagem que tenho por fim é a do Ratatouille.
Do teu corpo deitado sobre meu
Que adormeceu com o balanço do som
E que se fez especial e pleno
Na sua simplicidade.

terça-feira, 21 de março de 2017

Poesia (25.4)

Limítrofe

Eu sou sempre
Aquele que fica,
Aquele que teme o novo
Enquanto salta desgovernado.
Encontro-me enquanto corro.
Fico por querer viver;
Por ter me tornado rio de mim mesmo.

Vão-se os rapazes no vento,
Ficam as poesias na nuvem,
Vão-se os amores de verão,
Ficam os beijos no pescoço,
Vão-se os rapazes no vento,
Fica meu amor por mim;
E esse não é daqueles
Que há de se ir.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Poesia (25.3)

Sentindo frio em minha alma
Te convidei pra dançar
A tua voz me acalmava
São dois pra lá, dois pra cá
 João Bosco

Invertido

Os beijos aos nervos,
As pontas dos dedos.
O gelo do medo
Escorrendo pelas costas
E evaporando no chão.
A tempestade castanha
Dos teus olhos.
A vivacidade do teu sorriso.
Minhas mãos no teu rosto.

Os beijos aos nervos,
A ponta dos dedos.
Teu rosto invertido
Submerso em meus travesseiros.
Teu sorriso move o meu.

Dançava-se noutra noite.
Ria-se.
Bebia-se.
Bebia-se muito.
Os sorrisos traziam sorrisos.
Euforia musicada
Embaladas nos ritmos do corpo.
Gargalhadas nos trouxeram
Até à porta de casa
Veloz e abruptamente.

A luz salgada do amarelo do abajur
Tornara mar tudo que antes era areia.
Teu sorriso desaguava no meu.
E na maré movida pelas nossas luas
Os entrelaços desafiavam minha memória.

Noite e dia
Rodopiavam ao som
Dos abraços dos que queriam abraçar.
São dois pra lá, dois pra cá.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Poesia (25.2)

Quase Sempre Amor

Às vezes o amor não sai.
Se remexe por dentro,
Mordisca seu pé na madrugada
E deita no travesseiro que sobra.

Às vezes o amor não vai.
Se enfia pelas gavetas,
Dorme no meio dos panos,
E belisca as sobras do almoço na geladeira.

Às vezes o amor não sabe.
As formas ficam sem fôrma,
As palavras se limitam na sacada,
E o bolo de maçã é o que estava lá pra dizer que era amor mesmo,
Fazendo do esforço seu presente,
Mesmo sem durar na estante.

Às vezes o amor não dura.
Se esparrama pelo chão como cerveja quente,
Treme no rosto os abusos diários,
E míngua pelo ralo junto com a água gasta.

Às vezes o amor não quis.
Comeu o café na cama,
Brincou com os pelos no peito
E saiu sem baixar a cabeça.

Às vezes o amor não vê.
Como quem guarda o meio do sanduíche pra comer por último
E ficou cheio antes do final,
Só percebe a besteira que fez quando o domingo chega,
Ou quando o calor aperta;
E resmunga saudades.

Às vezes o amor não fica.
Deixou esfriar o café
E as rabanadas já não agradam,
O carnaval sussurra baixinho
E o amor não é mais o carinho na orelha.

Mas quase sempre o amor carrega a gente
E às vezes o amor deixa levar também.

É só ir.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Poesia (25.1)

O Ombro

A melhor parte de mim
Sou eu.
A única talvez.

Conto-me histórias,
Nino meus sonos,
Hidratos meus sonhos.

A única parte de mim
Sou eu.
Do óbvio ao pitoresco.
Do que calo aos berros animalescos.

A pior parte de mim
Está aqui comigo.
Por dentro das gavetas,
Ao longo do corredor,
Na pontinha da minha língua como a tabuada de dois.
A pior parte de mim escapa dos dentes
E jorra regozijando culpa.

A melhor parte do meu eu
Está por aqui também.

Temo que não saiba onde.

E há de estar no presente
Já que não se fará necessária
No futuro;
Eu agora careço
De mim mesmo,
Mas não por muito.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Texto (0.7)

Retrofilias Por Vir

Papai detestava a possibilidade sobre eventos ocorridos. Por isso sempre que eu usava um “se” para exprimir esse tipo de sentimento, papai me tascava uma frase feita que logo caía sobre a minha tentativa de supor alguma realidade paralela a partir do passado referido.

“Se minha mãe tivesse uma carreira de peito, seria uma porca!” Dizia papai nesses momentos.

Logo, trabalhar ou pensar essa possibilidade sobre um passado diferente baseado num “se” seria uma perda de tempo. Tanto para mim quanto para papai. Mas principalmente para papai; cortando logo o papo fazendo-me imaginar vovó com vários mamilos num corpo de uma porca.

A possibilidade sobre o evento já acontecido é um terreno perigoso. 

Com isso cresci evitando arrependimentos e sentimentos de arroubo nostálgico sobre o que eu faria caso coisas fossem diferentes; desde o simples lembrar do gosto da lasanha quentinha que titia e vovó preparavam, até mesmo as conversas de bar que seguem hoje sobre desenhos animados que víamos quando pequenos. Não me lembro do gosto do feijão preto que comia com arroz e farinha e limão enquanto assistia Digimon nos dias de semana que não tinha aula; nem mesmo da edição especial sabor uva do Frutilly que um menino que morava na minha rua derrubou com uma bolada enquanto jogavam o detestável futebol; também escolhi não lembrar das idas ao Horto de Dois Irmãos ver o leão chamado Simba com papai numa época em que tudo era mais simples; muito menos me lembro do cheiro do livro de Harry Potter e o Cálice de Fogo que eu tinha que esperar um evento grande como um aniversário ou natal para pedir de presente, então lia vorazmente num banco do Carrefour que estava montado pra receber as fitas de Monstros SA em seu lançamento, tudo isso enquanto titia fazia as compras da semana; e se não lembro de nada disso, não tenho como alterar essas rotas já traçadas e imemoráveis. Daí sigo cantarolando o que se resolve no presente, e planejando o ocaso da vida ao longo do caminhar.

Já a possibilidade sobre o evento que ainda não aconteceu é um terreno mais perigoso ainda.

Uma atriz e professora que tive o prazer de encontrar, comentou um erro nosso numa apresentação certo dia. O ocorrido se deu durante uma apresentação de um exercício cênico da nossa turma naquele semestre. A porta de um dos camarins tinha ficado aberta, e uma aluna-atriz, percebendo tal deslize, manteve-se serena (apesar dos tremores e fibrilações alvoroçados de seu interior) para a plateia que a via parcialmente.

A professora disse então uma pérola que resumia bem também o sentimento de papai; e o sentimento que acabei adquirindo ao longo do tempo.

“A cena se resolve na cena. Não tem outro momento.” Veemente.

Tomando como ponto de partida tais palavras fui buscar o entendimento dos “ses”. Compreender as ramificações do presente sem precisar de tal mira distante a ponto de perder de vista meus pés 44. Como num jogo de dardos esfreguei as mãos nas setas das possibilidades do que já foi, do que poderia ter sido, do que é, e do que pode ser. E botei todas essas cenas e vislumbres no bolso, afinal. Não lancei os “ses” para quaisquer direções. São danosos, sim? Já me foi revelado.

Ao futuro e passado dou-lhes presente. E não me interessam mais as reviravoltas do que foi, nem o esperar infinito pelo que está por vir. 

Basta-me o que é.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Poesia (25.0)

At The End of Statements

It is over,
Is it not?

The dreams we have dreamed together
Are no longer on our shelves,
Are they?

The lips we have been enchanted by
Have not been so charming recently,
Have they?

The love we wondered share
Has no longer run through our veins,
Has it?

A box of intentions and tears
Is the only living object
In this room,
Is it not?

It has been over
For a quite a while now,
Has it not?

Cheers
To new beginnings
Or fresh pauses
Or even to silent ends.

Poesia (24.9)


É sonho alto o que sonho.

De morder e escapar pelos dedos
E melecar a camisa
E pingar no sapato fazendo barulho.

É sonho meu o que sonho.

Que cabe no bolso junto aos dedos e chaveiros e chaves
Apertado entre cigarros e moedas,
Que eu carrego pra todo lado,
Que me leva ao trabalho nos ouvidos
E me faz chegar cantando
Em todo canto.

É sonho amoroso o que sonho.

De fazer zoada aos vizinhos,
De dançar sozinho na cozinha,
Que me faz lavar prato sorrindo,
E me deixa balançar com a gata na varanda
Madrugada à dentro.

É sonho sonhado há tanto.

Que não quero que se vá em prantos,
Que não vou deixar secar por encantos,
Que há de me fazer tripudiar pelos cantos.

É alto o meu amoroso sonhado sonho,
E há de ser suficiente sonhar por enquanto.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Poesia (24.8)

Soluços

A solidão soluça mais à noite.

De dia fica quietinha,
Banhada pela luz do sol
Que entra tímida
Pelas janelas do apartamento
Que aos poucos vai chamando de casa.

Sorridente
A solidão vai à cozinha,
Prepara um café extraforte,
Ajeita um prato molhado,
Rega as plantas do amigo,
Troca a areia da gata,
E volta pro quarto.

A solidão cozinha direitinho.
Gosta de descobrir receitas
Em rápidos vídeos,
Tenta ser o mais saudável que pode,
Compra queijos,
Perfuma uns filezinhos com páprica doce.
O almoço é gostoso.
É na hora do jantar que ela fica frenética.

A solidão caminha até a janela da sala,
Fuma um cigarro desatenta,
Acende um incenso,
Liga o som colorido,
E chora.
Ah, mas como a solidão chora!
Ela se abraça em soluços altos.
A solidão enxuga suas lágrimas
Nas almofadas;
Molha a noite com seus soluços.

Os vizinhos não estão em casa,
Estamparam as noites confortavelmente sozinhas
Para que a solidão pudesse ser livre.

Ainda bem!

Imagina só
Se a solidão se vê
Acompanhada.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Poesia (24.7)

Meridianos

Temo o arremate
Que sugue e arda.
Temo o novo,
Mas espero por ele.

Calculo mal meus saltos
E anseio por quedas livres.
Temo o quente
Não desejando o morno.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Poesia (24.6)

Antropofagias Seculares


Diluíam-se em meio à música
Crianças altas
Segurando garrafas de cerveja
E emitindo sons de seus corpos.

Adultos encurtados
Observavam os andares e passadas;
De uma distância segura
Estimava-se que o mundo não mais girava.

O som se eleva;
Os corpos não param
Mas vão ao chão devagar.
As garrafas de cervejas foram logo,
No sangue estavam
Mas nem por todos os corpos
Circulavam.

As crianças altas existiam;
Não sempre,
Mas naquele momento principalmente,
Elas existiam plenamente
Cobertas de consciência,
Envoltas em cegueiras
E absurdamente
Antropofágicas.

Mordiam umas às outras.

À vista de todos os adultos
As crianças babavam.
Grunhidos se espalhavam à música
E os adultos tinham olhos:
Enxergavam sem auxílio.

As crianças altas
Queriam ser.
Do puro ensinamento
À plenitude do estar.

As crianças altas
Antropofagicamente
Estavam sendo
Umas nas outras.

Poesia (24.5)

Afrouxamento

As relações se afrouxaram.
Cambalearam para as montanhas
E lá se tornaram restritas
À natureza.

As relações humanas
Encontram-se asfixiadas,
Rarefeitas,
De um contato pigmentado.

Estão frouxos os que amo.
Temores invadem,
Descuidos,
Tropeços.

Outrem.

As relações comigo
Estão afrouxadas.
Passos trôpegos,
Temendo rapidez,
Excedendo rispidez.

Consciência invadida!

Que se apertem as relações.
Encurtem espaços.
Promovam

Encontros.

Poesia (24.4)

Eles

Tantos poucos foram
Que conto nos dedos
Das mãos que me apertaram
O pescoço e lábios.

Repetiria os beijos todos,
Os dados e os desejados.
Os sonhados não,
Os sonhados estão na gaveta
Juntando poeira e dançando
Juntos às meias sem par.

Escreverei e escreveria
Todas as cartas de amor,
Todos os poemas,
E todos os nós na garganta
Que se assinam
Com a vontade de lembrar.

Imaturidade ou desespero,
As estrelas,
O destino.
Tenho certezas em vida.
Amei demasiado aqui e ali.
Dedico a esses amores
Os calafrios que as borboletas
Insistem em pincelar
Em meu estômago.

domingo, 5 de junho de 2016

Poesia (24.3)

O Lado Negativo do Espelho

É imperativo olhar para si,
Descobrir esse lado de dentro,
Os lados,
As curvas,
As esquinas,
Também desdobrar
As barras,
Amarrar cadarços;
É imperativo olhar-se
Mesmo que com cautela,
Mesmo não vendo tudo;
É imperativo olhar-se
Veemente e sóbrio,
Bambo e alucinado,
De costas,
De olhos fechados.

É imperativo ver-se.
Perceber até onde se vai.
Sensorial e completamente
Enxergar-se.

Fitar o próprio olhar
Com menos casualidade
É uma estratégia que minhas entranhas
Ainda não se acostumaram
A realizar.

Meu olhar me entra muito fundo,
Arrepia minhas vértebras,
Deixa minha nuca ofídica.

Tantos lados e curvas e palavras e olhares
Que não tenho dúvidas
Que o lado negativo do espelho
Sou eu.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Poesia (24.2)

Control

Playing this game
I was doomed to lose
If I was to win your heart.
No other option
Was given to me
In order to be able to conquer
Our hearts again.

To start such match
I knew I was to lose
I knew no one was to win
But you.

Fairness could not play its role
Nor chance.

I shan't play a game
I'm meant to lose.

Poesia (24.1)

Estrela Fugaz

Irreal,
Que me fez acreditar
Na magia uma vez perdida,
Que me trouxe às mãos
Minha maior conquista:
Felicidade domada.

Surreal,
Que fez flutuar
Nas ruas resfriadas,
Que esquentou meus olhos
Verdes; incrédulos.
Gozando sozinho
Os prazeres dantes amordaçados.

Músico,
Que fez do toque em pele,
Sinfonia.
Das palavras
Nos teus ouvidos,
Poesia.
Do nosso caminhar destrambelhado seguido de beijos noturnos e viscerais,
Harmonia.

Desejo aos céus,
E à Terra,
Mais fugacidade
Para meus amanhãs,
E um grande amor
Digno de tais artes,
Pois sem as mesmas
Minhas estrelas não hão de brilhar
Em nenhuma parte.