reinvenções do ar
sempre fui de chamego,
carinho,
cafuné,
coração.
nada novo.
apaixonado,
ia-me embora
seguindo o circo,
acendendo fogueira
por onde passasse;
um pedaço do amor pipocava atrás das portas
revelando-me,
caminhava firme e vendado
seguindo as trocinhas.
não há novidade.
até tu.
até tu chegares.
até tu chegares em mim.
até tu chegares em minha cama.
até tu chegares em minha cama e deitar.
até tu chegares em minha cama e deitar em meu peito.
até tu.
os fogos
que eu viria a soltar
não são tão novos assim:
vêm da minha bagagem surrada
mas minha.
nada inesperado,
nem meu medo de olhar nos teus olhos,
nem o frio na barriga
quando tua boca toca a minha.
é tudo novo na escapada com o circo
até que finalmente
desvenda-me a lona.
é tua respiração
ressoando em meu pescoço
enquanto nos vejo de dentro.
nariz com nariz.
vejo corpos altos,
encaixes que se encaixam,
emaranhados de pernas que se atravessam,
braços que abraçam forte.
sinto frio e timidez
daqui de dentro.
e respiro aliviado
sentindo o meu e o teu ar
num só.
reinvento minha respiração
aliviada sim
mas não menos trêmula.
quarta-feira, 31 de julho de 2019
terça-feira, 30 de julho de 2019
Poesia (30.0)
poema cotidiano de amores espontâneos poetizado mas não menos prosaico
vez por outra me aparecem essas surpresas.
um rapaz vestido com uma camisa de super-homem
enquanto eu vestia uma da mulher-maravilha.
seus vinte anos contrastam meus vinte e sete.
sua altura tão próxima a minha
e ainda assim eu na ponta dos pés.
o beijo rápido casual.
o bom beijo inesperado.
daí ele tira a roupa quando eu peço pra ver suas tatuagens,
e como velhos amigos ele está só de cueca
tendo me conhecido há dez minutos.
vez por outra me aparecem essas surpresas.
um rapaz vestido com uma camisa de super-homem
enquanto eu vestia uma da mulher-maravilha.
seus vinte anos contrastam meus vinte e sete.
sua altura tão próxima a minha
e ainda assim eu na ponta dos pés.
o beijo rápido casual.
o bom beijo inesperado.
daí ele tira a roupa quando eu peço pra ver suas tatuagens,
e como velhos amigos ele está só de cueca
tendo me conhecido há dez minutos.
e os beijos retornam.
a doçura dos beijos.
a vontade dos beijos.
os elogios incessantes vasculham
dos ouvidos aos corações cancerianos.
carinhos.
vibrações corpóreas de prazer.
libido.
sexo número um.
êxtase dele.
sexo número dois,
meu.
impiedosamente me vejo de dentro
sentindo a mais pulsante e genuína vontade
de gritar amor.
casual amor daquele que explode na boca
como quem morde uva,
mesmo não sendo amor ainda,
pois sabendo da responsabilidade que tal amor carrega,
sei também dos laços e nós que envolvem meu presente.
não digo nada à priori.
não revelo muito além do gozo.
mesmo o pouco sangue que sai de mim
não diz tanto do que sinto.
e sinto muitíssimo.
pouco depois os elogios voltam,
incrédulos ainda com redoma de beleza e carinho
dos estranhos tão afins.
ele diz que mal acabou o nosso encontro
e já tem vontade de me ver novamente.
olhem só.
novamente.
as horas vão-se a galope
até que o rapaz segue até a porta
e até a parada de ônibus,
ruma seu destino
e eu volto pra casa com uma imensa vontade de dançar.
chegando ao apartamento recebo a mensagem:
"esqueci meus óculos".
abro um largo sorriso e fecho a porta.
incrédulos ainda com redoma de beleza e carinho
dos estranhos tão afins.
ele diz que mal acabou o nosso encontro
e já tem vontade de me ver novamente.
olhem só.
novamente.
as horas vão-se a galope
até que o rapaz segue até a porta
e até a parada de ônibus,
ruma seu destino
e eu volto pra casa com uma imensa vontade de dançar.
chegando ao apartamento recebo a mensagem:
"esqueci meus óculos".
abro um largo sorriso e fecho a porta.
quarta-feira, 3 de julho de 2019
Poesia (29.9)
sobrepele
quantas danças sobraram no meu repertório?
há movimento na dor.
dançam pelos
que tomados de arrepios
sussurram
marchas de liberdade.
quantos passos restam
nas sapatilhas abandonadas?
pontas firmes em meus dedos.
de longe os amados se olham com suas auras.
mordaz balé da casualidade.
estrepado caco de vidro
é o coração que carrego.
quantas peles tocam a minha
antes da tua?
há olhares nos pelos do meu corpo
clamando o teu.
paterno carinho às minhas costas
expõe-me incertezas pontuadas `à música.
quão dura é a dança finda.
quão dura é a dança finda?
quantas danças sobraram no meu repertório?
há movimento na dor.
dançam pelos
que tomados de arrepios
sussurram
marchas de liberdade.
quantos passos restam
nas sapatilhas abandonadas?
pontas firmes em meus dedos.
de longe os amados se olham com suas auras.
mordaz balé da casualidade.
estrepado caco de vidro
é o coração que carrego.
quantas peles tocam a minha
antes da tua?
há olhares nos pelos do meu corpo
clamando o teu.
paterno carinho às minhas costas
expõe-me incertezas pontuadas `à música.
quão dura é a dança finda.
quão dura é a dança finda?
domingo, 21 de abril de 2019
Poesia (29.8)
antropologia metamorfa
eu sou o vento que,
forte,
anuncia a chuva
e logo em seguida
cessa num sopro de calma.
transito ao longo dos corpos,
alargo as margens dos ouvidos,
cubro os olhos de lupas
e caminho pela nuca massageando as conversas duras.
eu sou o lobo que caça a liberdade
e num piscar de luas
uiva a solitude brilhosa.
pelos ouriçados;
patas firmes que lampejam sobre a floresta, de cima, vasta.
eu sou a safira, o rubi e a esmeralda,
cravejadas na história,
implorando a piedade de permanecer sob a terra.
arremessadas ao limo a duras penas de pele humana
tais pedras que sou
brilham o suor da dor
de ganância esbranquiçada.
eu sou o coelho escondido na cartola,
nunca aquele que a mão buscou,
mas aquele que engaiolado e subserviente
aninhou-se com cenouras nas coxias escuras.
eu sou a vida que é vista num encontro de paredes,
que brota no asfalto,
que toma o café esfriado,
que luta de manhã com olhos semicerrados
mas que, sem dúvida,
escolhe levantar.
eu sou o vento que,
forte,
anuncia a chuva
e logo em seguida
cessa num sopro de calma.
transito ao longo dos corpos,
alargo as margens dos ouvidos,
cubro os olhos de lupas
e caminho pela nuca massageando as conversas duras.
eu sou o lobo que caça a liberdade
e num piscar de luas
uiva a solitude brilhosa.
pelos ouriçados;
patas firmes que lampejam sobre a floresta, de cima, vasta.
eu sou a safira, o rubi e a esmeralda,
cravejadas na história,
implorando a piedade de permanecer sob a terra.
arremessadas ao limo a duras penas de pele humana
tais pedras que sou
brilham o suor da dor
de ganância esbranquiçada.
eu sou o coelho escondido na cartola,
nunca aquele que a mão buscou,
mas aquele que engaiolado e subserviente
aninhou-se com cenouras nas coxias escuras.
eu sou a vida que é vista num encontro de paredes,
que brota no asfalto,
que toma o café esfriado,
que luta de manhã com olhos semicerrados
mas que, sem dúvida,
escolhe levantar.
domingo, 14 de abril de 2019
Poesia (29.7)
the bravery of the being
how exciting it is
to simply
roughly
have yourself
talking to the mirror.
how exciting it is
to simply
roughly
have yourself
talking to the mirror.
Poesia (29.6)
as dúvidas que assombram também dão contraste ao caminhar
quantas mais perguntas
atropelam a linha da vida
que não há de ser vivida.
bate artística
moderada
e
inquietantemente
a música.
aprendo a reaprender, então.
os seguimentos dos sentimentos
ainda embaçados
transformam-se na simplicidade
de um sotaque,
de um orvalho,
de um tropeço no acaso;
e em breve
surpreendido há de ser o coração
junto com a completude do ser
(já que não só de coração é feito o poeta que me torno
ao passo que entorno
um copo de mim).
que grandiosa é a tolice
de me questionar
sobre minha honestidade
para com -
ninguém mais
ninguém menos -
que eu mesmo.
há tanto por vir;
há tanto quão tanto
pelas esquinas não viradas ainda,
que imensa é a cidade que construo
ao longo do caminho.
o sentimento de êxtase
pinga pelo meu queixo agora
como quem chupa fruta-suco.
e não há de haver dúvida sobre a fome
da sede
que sinto.
quantas mais perguntas
atropelam a linha da vida
que não há de ser vivida.
bate artística
moderada
e
inquietantemente
a música.
aprendo a reaprender, então.
os seguimentos dos sentimentos
ainda embaçados
transformam-se na simplicidade
de um sotaque,
de um orvalho,
de um tropeço no acaso;
e em breve
surpreendido há de ser o coração
junto com a completude do ser
(já que não só de coração é feito o poeta que me torno
ao passo que entorno
um copo de mim).
que grandiosa é a tolice
de me questionar
sobre minha honestidade
para com -
ninguém mais
ninguém menos -
que eu mesmo.
há tanto por vir;
há tanto quão tanto
pelas esquinas não viradas ainda,
que imensa é a cidade que construo
ao longo do caminho.
o sentimento de êxtase
pinga pelo meu queixo agora
como quem chupa fruta-suco.
e não há de haver dúvida sobre a fome
da sede
que sinto.
sábado, 13 de abril de 2019
Poesia (29.5)
incoercível
eu bato o portão sem fazer alarde
eu levo a carteira de identidade
uma saideira, muita saudade
e a leve impressão de que já vou tarde
-chico buarque
.escorre pelo meu queixo lambuzando a mesa e encrua debaixo das minhas unhas a dor que mordo e mastigo e cuspo e como do chão é dor e também boca é seiva da minha pele desaguando sem pausa sem ponto nem vírgula que não respira nem respeita meu pranto muito menos meu sono que quando viro a esquina desavisado percebo que volta de metrô bêbada saudosa com cheiro de goiaba e jasmim e vai de novo picotando meus tecidos e me deixando insone adormecer ao som dos riscos nos discos do que um dia ousei dizer amor.
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Poesia (29.4)
o intransponível
cascas de mim lambem de sangue
o caminho outrora vermelho-goiaba.
há fim por todo canto.
nenhuma rosa leva nenhum vento
quando não há mais nada a ser semeado.
as direções estão esquizofrênicas;
quase sempre
deságuam na boca do meu estômago.
de vazio em vazio
mastigo dentes
aqui meus,
acolá
desconhecidos.
finda dança
agora
amanheço como quem noita.
surto súbito
finaliza,
conclui,
destrói,
e esfria
todo carinho
agridoce.
cascas de mim lambem de sangue
o caminho outrora vermelho-goiaba.
há fim por todo canto.
nenhuma rosa leva nenhum vento
quando não há mais nada a ser semeado.
as direções estão esquizofrênicas;
quase sempre
deságuam na boca do meu estômago.
de vazio em vazio
mastigo dentes
aqui meus,
acolá
desconhecidos.
finda dança
agora
amanheço como quem noita.
surto súbito
finaliza,
conclui,
destrói,
e esfria
todo carinho
agridoce.
domingo, 31 de março de 2019
Poesia (29.3)
fearful poems written in lava
.missing us.
in shapeless questions
I miss us.
shall I fight for good?
will I feel hole?
will I feel whole?
in prismatic questions
I miss us.
what happened to touch?
have I felt it indeed?
in gutful questions
I miss us.
will it be enough?
will anything ever be enough?
will I
be enough?
I ask my skin
if it needs much more
than it's given.
it responds with a silent nod.
.missing us.
in shapeless questions
I miss us.
shall I fight for good?
will I feel hole?
will I feel whole?
in prismatic questions
I miss us.
what happened to touch?
have I felt it indeed?
in gutful questions
I miss us.
will it be enough?
will anything ever be enough?
will I
be enough?
I ask my skin
if it needs much more
than it's given.
it responds with a silent nod.
.unrecognizable femininity.
such as the wind that blows no more than hot air
there's a lack of eager within the feeling no longer felt
how could this be?
'is it time, dearest?'
she asks me gazing through the cards
'no.'
she says through the mouth.
'is it the body, sweetie?'
she keeps questioning timeful;
'not again.'
she goes beyond the curtains
'it's the fear, is it not, darling?'
she states with unaccurate inflection.
'yes.'
'it's fear'.
.a foundation to unholinesses.
where has excitement gone to?
should I be patient?
is there any feeling
that I owe?
will I ever be certain about me?
will my light ever flash?
.¿where have the smiles i gave away gone to?.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Poesia (29.2)
os paladares ao longo dos corpos
há tantos sabores
aqui
que não vejo outro gosto
sequer sinto outro cheiro
a não ser aquele
compartilhado.
é o nosso gosto
que julgo precioso:
um outro tipo de doce;
um agridoce picante
que mostra cores intensas
à minha língua.
o amor tem outros cheiros também.
sinestesias cálidas
envolvem meus sonhos
quando dormimos juntos:
dos sustos aos beijos na madrugada
durmo melhor contigo
até quando não durmo bem.
hei de explicar melhor
talvez com o já sabido
café da manhã na cama:
aquele que trago com um pedacinho de mim –
comida e música –
sinestesia que transborda o mundano.
amor mesmo
como só o da gente –
agridoce-picante.
há tantos sabores
aqui
que não vejo outro gosto
sequer sinto outro cheiro
a não ser aquele
compartilhado.
é o nosso gosto
que julgo precioso:
um outro tipo de doce;
um agridoce picante
que mostra cores intensas
à minha língua.
o amor tem outros cheiros também.
sinestesias cálidas
envolvem meus sonhos
quando dormimos juntos:
dos sustos aos beijos na madrugada
durmo melhor contigo
até quando não durmo bem.
hei de explicar melhor
talvez com o já sabido
café da manhã na cama:
aquele que trago com um pedacinho de mim –
comida e música –
sinestesia que transborda o mundano.
amor mesmo
como só o da gente –
agridoce-picante.
terça-feira, 27 de novembro de 2018
Poesia (29.1)
sudades
a pressa não me deixa escrever
saudades.
são sudades o que sinto.
neologismo transtemporal
do que vira os copos
cheio da gente.
sudades de passar a manhã
nos teus braços
e tomar café na cama
e o já delicioso
bastar
por estarmos juntos,
as circunstâncias
far-se-ão
douradas
por estarmos entrelaçados.
a pressa não me deixa escrever
saudades.
são sudades o que sinto.
neologismo transtemporal
do que vira os copos
cheio da gente.
sudades de passar a manhã
nos teus braços
e tomar café na cama
e o já delicioso
bastar
por estarmos juntos,
as circunstâncias
far-se-ão
douradas
por estarmos entrelaçados.
Poesia (29.0)
plural meu
chamo de amor
as mãos dadas,
o carinho nessas mãos dadas,
o caminho que percorrem essas mãos.
os fios de energia
no transbordar dessas mãos
ao longo dos corpos.
e, vá lá,
que não seja amor ainda mesmo,
que não seja o convencional,
ou mesmo,
que seja só uma paixonite
no nosso inverno às avessas;
não há encaixotamentos
dicionáricos
para o que sinto,
(pouco houve),
se muito
há estranhamentos que vão de encontro
às convenções.
cada amor é um novo amor.
existe uma singularidade
no que sinto.
dito isto,
sobreponho os achismos todos
e rogo pela compreensão lúcida
de que não há aqui
um texto argumentativo,
apenas um debulhar de feijões
por sobre a página,
de forma que teço o emaranhado
de ideias que tenho
como quem faz no pilão
um café ao amado.
chamo de amor
as mãos dadas,
o carinho nessas mãos dadas,
o caminho que percorrem essas mãos.
os fios de energia
no transbordar dessas mãos
ao longo dos corpos.
e, vá lá,
que não seja amor ainda mesmo,
que não seja o convencional,
ou mesmo,
que seja só uma paixonite
no nosso inverno às avessas;
não há encaixotamentos
dicionáricos
para o que sinto,
(pouco houve),
se muito
há estranhamentos que vão de encontro
às convenções.
cada amor é um novo amor.
existe uma singularidade
no que sinto.
dito isto,
sobreponho os achismos todos
e rogo pela compreensão lúcida
de que não há aqui
um texto argumentativo,
apenas um debulhar de feijões
por sobre a página,
de forma que teço o emaranhado
de ideias que tenho
como quem faz no pilão
um café ao amado.
domingo, 9 de setembro de 2018
Poesia (28.9)
a liberdade de dizer que te amo vem do amor que sinto
o pensamento trêmulo.
o olhar vagueando.
as palavras balbuciando-se.
a coragem então
alarda a boca,
deságua da mente
e a linguagem se extingue
não podendo conter
o sentimento
tão quisto.
desabrocho aos ouvidos
do amado
a verdade.
vagarosamente
ao pôr a mesa dos teus ouvidos
o já prenunciado
(por mim, mordido;
por ti, envergonhado)
amor,
arrisco-me trôpego
percorrer a estrada de barro
mal iluminada:
temeroso mas confiante
já que tua mão é cão-guia.
ao dizer que te amo
deponho contra mim,
e favoreço-nos:
relevo a culpa e o medo
ao passo que,
de braços esgaçados,
deitado sobre
(o já tão afagado)
peito teu
entoo canções.
eu te amo.
de forma libertadora
e consciente.
maneira minha
de ser eu.
maneira única
de estar contigo.
o pensamento trêmulo.
o olhar vagueando.
as palavras balbuciando-se.
a coragem então
alarda a boca,
deságua da mente
e a linguagem se extingue
não podendo conter
o sentimento
tão quisto.
desabrocho aos ouvidos
do amado
a verdade.
vagarosamente
ao pôr a mesa dos teus ouvidos
o já prenunciado
(por mim, mordido;
por ti, envergonhado)
amor,
arrisco-me trôpego
percorrer a estrada de barro
mal iluminada:
temeroso mas confiante
já que tua mão é cão-guia.
ao dizer que te amo
deponho contra mim,
e favoreço-nos:
relevo a culpa e o medo
ao passo que,
de braços esgaçados,
deitado sobre
(o já tão afagado)
peito teu
entoo canções.
eu te amo.
de forma libertadora
e consciente.
maneira minha
de ser eu.
maneira única
de estar contigo.
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Poesia (28.8)
amanhecemos
oscilantes
oscilantes
os corpos se esticam
pela manhã que os ilumina
por uma brecha mínima
da janela vedada.
levanto desperto,
apercebo miados,
caminho até a cozinha
semi vestido,
libero a porta
e deixo os sons famintos
lamberem toda a mobília.
torradas,
café,
polpa-água-peneira-açúcar-gengibre-suco-copo:
carinhos líquidos
numa bandeja materna e natural.
tropeços me devolvem ao quarto,
acaricio o adormecido rosto
com frestas maiores de sol
e beijo os ouvidos e bochechas
com o cheiro do café na cama.
a maresia de carinhos
puxa-nos pra fora
com o desejo de continuar.
o dia claro ou escuro
pouco importa
se meu coração canta contigo.
oscilantes
oscilantes
os corpos se esticam
pela manhã que os ilumina
por uma brecha mínima
da janela vedada.
levanto desperto,
apercebo miados,
caminho até a cozinha
semi vestido,
libero a porta
e deixo os sons famintos
lamberem toda a mobília.
torradas,
café,
polpa-água-peneira-açúcar-gengibre-suco-copo:
carinhos líquidos
numa bandeja materna e natural.
tropeços me devolvem ao quarto,
acaricio o adormecido rosto
com frestas maiores de sol
e beijo os ouvidos e bochechas
com o cheiro do café na cama.
a maresia de carinhos
puxa-nos pra fora
com o desejo de continuar.
o dia claro ou escuro
pouco importa
se meu coração canta contigo.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Poesia (28.7)
hoje à noite eu mordi o amor.
ia-se escorregando pelos lábios quando prontamente o animalescos dentes correram em sua direção e lhe cortaram em pedaços disformes. as gotas mancharam a camisa branca que usava para dormir. mastiguei os nacos de amor saboreando sobre tudo o medo que levaram tais dentes ao dito ato. o lábio inferior, o mais prejudicado, já não estava mais tão surpreso; sabia dos artifícios usados pelo medo pra conter tremores futuros, e já ali também recuou em direção ao coração que palpitava. tal mordida se dera em berço de automatismo, mais ainda, em berço de singelo carinho do que se construía ao passar dos dias: no final de uma ligação cotidianamente noturna as palavras de amor quase saíram; como quem se despede do amado, o 'eu te amo' fora partido: ainda estava ali no peito, no entanto, só esperando o momento em que os dentes deixariam-no passar e transformar tal amor em banquete e não mais entrave.
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Poesia (28.6)
passos sobre luas
que bobagem é o que,
por falta de melhor léxico,
chamo de amor.
escrevo do mundo ideal
o que as palavras
permitem.
rogo por elas
e agradeço às mesmas.
caminho de lua em lua
entendendo trôpego
que apenas devo
continuar
caminhando.
não há disposição
para amar
quando não há
disposição
para ser amado.
e essas bilateralidades
complexificam-nos.
chamo de amor
o sentimento,
mas,
mais ainda,
chamo os gestos,
mais do que as outras
todas
palavras associadas.
que bobagem é o que,
por falta de melhor léxico,
chamo de amor.
escrevo do mundo ideal
o que as palavras
permitem.
rogo por elas
e agradeço às mesmas.
caminho de lua em lua
entendendo trôpego
que apenas devo
continuar
caminhando.
não há disposição
para amar
quando não há
disposição
para ser amado.
e essas bilateralidades
complexificam-nos.
chamo de amor
o sentimento,
mas,
mais ainda,
chamo os gestos,
mais do que as outras
todas
palavras associadas.
terça-feira, 17 de julho de 2018
Poesia (28.5)
a poesia derrama
como leite fervido
que molha o fogão.
escuto palavras de afeto
e bum!
lá está o elogio ouvido
alquimizado.
cochilo vespertino, pelos e grandalhices simbióticas
há beleza na beleza.
há mais beleza ainda
no carinho.
mãos dadas
mostram-se armas
políticas.
veemências conectoras
das mentes que se alinham
ao passo que se permitem
o desdobrar.
a gentileza no olhar
percorre todo o Corpo
como banho de gato,
lambendo a superfície
grandiosa.
as palavras
repetidas
surpreendem.
afagos feitos
dos lábios aos ouvidos
e, oras, às almas também.
todavia o sol vai
deflorando o relaxamento
que outra noite fora
gozado
sonora e enfaticamente
a todos os ventos que passaram;
à luz das conversas,
aos encantos dos beijos
(que aqui
beijam mais a história
que nos trouxe
do que propriamente
as bocas).
do café às saudades
quero mais de mim contigo.
e agradeço
o elogio que fez
ao equiparar
um soberbo cochilo vespertino
ao nosso encontro.
como leite fervido
que molha o fogão.
escuto palavras de afeto
e bum!
lá está o elogio ouvido
alquimizado.
cochilo vespertino, pelos e grandalhices simbióticas
há beleza na beleza.
há mais beleza ainda
no carinho.
mãos dadas
mostram-se armas
políticas.
veemências conectoras
das mentes que se alinham
ao passo que se permitem
o desdobrar.
a gentileza no olhar
percorre todo o Corpo
como banho de gato,
lambendo a superfície
grandiosa.
as palavras
repetidas
surpreendem.
afagos feitos
dos lábios aos ouvidos
e, oras, às almas também.
todavia o sol vai
deflorando o relaxamento
que outra noite fora
gozado
sonora e enfaticamente
a todos os ventos que passaram;
à luz das conversas,
aos encantos dos beijos
(que aqui
beijam mais a história
que nos trouxe
do que propriamente
as bocas).
do café às saudades
quero mais de mim contigo.
e agradeço
o elogio que fez
ao equiparar
um soberbo cochilo vespertino
ao nosso encontro.
sexta-feira, 13 de julho de 2018
Poesia (28.4)
there's such uniqueness
over the flavor of
possibility that,
more often than not,
it seduces my soul.
i can
or
the way my body learned to fly
over the flavor of
possibility that,
more often than not,
it seduces my soul.
i can
or
the way my body learned to fly
sexta-feira, 6 de julho de 2018
Poesia (28.3)
seis de julho de dois mil e dezoito e a surrealidade de estar em mim
o dia em que me olhei no espelho ao dormir
e perguntei, dançando, se havia algo ainda a ser dito.
as respostas vieram aos bolos
de maçã.
ponderei os nozes.
calculei respostas.
mas de certeza abri os olhos.
cambaleei a vista pelas fotos,
respirei fundo.
lembrei do festival de inverno de outra vida.
do cheiro do desodorante.
das caminhadas solitárias.
do meu sorriso que antevia sua chegada na praça.
lembrei de mim, principalmente.
senti falta de tantas outras fotos.
senti falta do sexo.
senti muita falta do sexo.
da banalidade frívola que tínhamos
com nossos corpos.
ergui as sobrancelhas que coçavam de raiva.
a barba também coçou.
meu corpo precisava de um irônico banho.
bebi o resto da cerveja que esquentava
como meu corpo quando em cólera.
tive vontades carnívoras canibais.
dentes rangeram sob a pele flácida.
rasgões que tinham meu gosto inflamado.
de soslaio vejo minha sombra
que sofre o cárcere marginal no qual
encontro meus antepassados.
as idades que tive
coseram-me em mim,
tal qual menino perdido
em terra nunca dantes avistada.
banho molha nuca.
banho leva raiva.
acordo inquieto dias depois dentro de outro sonho.
o dia em que me olhei no espelho ao dormir
e perguntei, dançando, se havia algo ainda a ser dito.
as respostas vieram aos bolos
de maçã.
ponderei os nozes.
calculei respostas.
mas de certeza abri os olhos.
cambaleei a vista pelas fotos,
respirei fundo.
lembrei do festival de inverno de outra vida.
do cheiro do desodorante.
das caminhadas solitárias.
do meu sorriso que antevia sua chegada na praça.
lembrei de mim, principalmente.
senti falta de tantas outras fotos.
senti falta do sexo.
senti muita falta do sexo.
da banalidade frívola que tínhamos
com nossos corpos.
ergui as sobrancelhas que coçavam de raiva.
a barba também coçou.
meu corpo precisava de um irônico banho.
bebi o resto da cerveja que esquentava
como meu corpo quando em cólera.
tive vontades carnívoras canibais.
dentes rangeram sob a pele flácida.
rasgões que tinham meu gosto inflamado.
de soslaio vejo minha sombra
que sofre o cárcere marginal no qual
encontro meus antepassados.
as idades que tive
coseram-me em mim,
tal qual menino perdido
em terra nunca dantes avistada.
banho molha nuca.
banho leva raiva.
acordo inquieto dias depois dentro de outro sonho.
Poesia (28.2)
jornada vertical
ou
o primeiro 'basta'
lanço âncoras a mim.
metafóricas, claro,
já que me rasgaria todo.
tropeçando aprendo a olhar o chão.
a estrada que governa
tem sua bússola
fincada nos meus antebraços.
subjuntivo de mim
rogo frouxo aos traçados,
ancestralizo humanidades,
avisto nortes
e vejo-me sóbrio.
que faça-se luz e calmaria.
ebriedade subjetiva.
que faça-me bem.
água revoltas
chacoalham toda dúvida
outrora certeza.
que baste-me eu.
podo árvores amistosas:
frutos do jardim tão quisto,
frutíferas manifestações do afeto
familiar.
tenras proximidades.
bastam-me eus.
ou
o primeiro 'basta'
lanço âncoras a mim.
metafóricas, claro,
já que me rasgaria todo.
tropeçando aprendo a olhar o chão.
a estrada que governa
tem sua bússola
fincada nos meus antebraços.
subjuntivo de mim
rogo frouxo aos traçados,
ancestralizo humanidades,
avisto nortes
e vejo-me sóbrio.
que faça-se luz e calmaria.
ebriedade subjetiva.
que faça-me bem.
água revoltas
chacoalham toda dúvida
outrora certeza.
que baste-me eu.
podo árvores amistosas:
frutos do jardim tão quisto,
frutíferas manifestações do afeto
familiar.
tenras proximidades.
bastam-me eus.
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